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Kátia Flávia
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Roque Santeiro: Padre Hipólito desmaia e Porcina confessa farsa a Roque

Nos capítulos de quinta (5) e sexta (6) de novembro, o santo de Asa Branca volta vivinho da silva, faz padre desmaiar no confessionário, ouve de Porcina que o casamento nunca existiu e ainda recebe de Sinhozinho Malta uma proposta indecente para sumir do mapa.

Kátia Flávia

05/11/2026 13h00

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Padre Hipólito desmaia e Roque pede perdão.

Gente, eu estou aqui no Cosme Velho com o garfo parado no meio do caminho, arroz, feijão, bife acebolado esfriando no prato, porque o telefone não deixa uma noveleira almoçar em paz! Primeiro foi uma amiga da produção dizendo “Kátia, come rápido que hoje o padre desmaia”. Desliguei. Tocou de novo. Era a vizinha do 302 querendo saber se a Porcina vai contar tudo pro Roque. Vai, minha filha, vai! E eu já avisei aqui em casa: daqui a pouco começa Roque Santeiro e ninguém me chama, ninguém me liga, ninguém toca a campainha. Nem o carteiro. Nem Jesus. Se bem que, em Asa Branca, santo aparecendo é o que mais tem!

Agora senta que lá vem a história. Na quinta, Roque assiste à gravação do filme sobre a própria morte, vendo o bando do Navalhada “matar” ele de mentirinha, com aquela cara de quem está no próprio velório e achando a decoração exagerada. O ostensório reaparece e a cidade inteira jura de pé junto que desceu do céu. Mocinha bate os olhos em Roque e desmaia na hora, coitada, dezessete anos de viuvez de noiva e o homem surge do nada! Matilde, sem saber com quem está falando, conta a lenda de Roque para o próprio Roque. Imagina a cena: a pessoa explicando o milagre pro milagreiro! Aí ele vai se confessar com Padre Hipólito, o padre desmaia (segundo desmaio do dia, Asa Branca precisa de um posto de saúde urgente), Roque pede perdão e o padre finalmente descobre o que aconteceu de verdade quando o Navalhada invadiu a cidade. E corre contar pro Florindo, claro. Segredo em Asa Branca dura menos que sorvete no asfalto. Depois vem o encontro que eu esperava desde o capítulo 1: Roque e Porcina frente a frente, e ele finge que nunca viu aquela mulher na vida. A sós, Porcina abre o jogo e conta que foi Sinhozinho Malta quem inventou o casamento dela com o santo. Roque dorme na casa dela! Sinhozinho vai embora preocupado, volta no dia seguinte atrás do homem e Mina avisa que ele já tinha ido. Na sexta, Roque descobre que o pai virou beato, Florindo, Padre Hipólito e Sinhozinho se reúnem para decidir o destino dele e não chegam a acordo nenhum, Terêncio flagra Roberto e Tânia namorando e entrega tudo pro Sinhozinho, que fica uma fera. E, pra fechar, Sinhozinho oferece dinheiro pro Roque sumir de Asa Branca. Comprar santo, minha gente! Nem na Idade Média!

E os bastidores? Pergunta pra qualquer noveleira de verdade e ela te conta que Roque Santeiro foi proibida pela censura em 1975 e só estreou em 1985, dez anos depois, como se a própria novela tivesse ressuscitado igual ao Roque. Dias Gomes e Aguinaldo Silva sabiam exatamente o que estavam fazendo. No grupo das noveleiras do meu prédio, a dona do 101 já mandou figurinha da Porcina com o leque, a do 205 escreveu “a viúva que foi sem nunca ter sido” pela milésima vez e eu respondi com aquele áudio de cinco minutos que ninguém escuta inteiro. Tem gente que vê pela primeira vez e está chocada. Tem gente que já viu quinze vezes e está chocada do mesmo jeito. Isso é novela clássica, meu bem!

Agora vamos ao que interessa. Regina Duarte de Porcina, minha gente, é patrimônio nacional. Aquela mulher mente, rebola, faz cena e, quando conta a verdade pro Roque, a gente quase acredita que tem coração ali dentro. Quase. José Wilker com aquele olhar de quem sabe que a cidade inteira vive de uma mentira montada em cima dele: é um banho. Paulo Gracindo desmaiando de Padre Hipólito merecia replay em câmera lenta no domingo à noite. E Lima Duarte como Sinhozinho Malta, sacudindo aquela pulseira e achando que resolve tudo no talão de cheques, é o vilão que eu amo odiar. Ele inventou casamento, inventou viuvez, inventou santo e agora quer comprar o silêncio do defunto! Quem merece ser escorraçado de Asa Branca montado de costas num jumento? Sinhozinho! E o Terêncio, aquele fofoqueiro de quinta categoria (e eu digo isso com propriedade, porque sou da mesma categoria, só que com diploma), correndo para dedurar Roberto e Tânia? Deixa os meninos namorarem em paz, homem!

Meu veredito: Mocinha merece final feliz, e eu brigo com qualquer um por isso. Dezessete anos guardando luto por um homem que estava vivo e passeando por aí! Porcina vai tentar segurar o Roque nem que tenha que inventar outro milagre, Sinhozinho vai quebrar a cara com essa proposta de dinheiro e Asa Branca vai tremer quando a verdade chegar no meio da praça. Anota aí: o santo não vai aceitar a grana assim tão fácil, e essa cidade ainda vai descobrir que quem fez milagre de verdade foi a turma do marketing do Sinhozinho. Agora licença que eu vou lavar o prato, passar um café e sentar na frente da televisão. Se tocar o telefone, eu não estou!

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