Eu tinha acabado de sentar na minha mesa de sempre no Armazém aqui em Petrópolis, café fumegando na frente e as meninas já espalhando o babado da semana, quando meu celular tocou com chamada de vídeo de Portugal. Era uma fonte querida minha de Lisboa, daquelas que ligam ofegantes, e ela virou a câmera pra rua só pra eu ver a loucura. Gente, Portugal parou. Hoje começa o segundo e último fim de semana do Rock in Rio Lisboa, e de Cascais a Fátima não se fala em outra coisa.
Antes de me contar o que vem por aí, ela fez questão de me lembrar do tamanho do que já rolou. O primeiro fim de semana juntou duzentas mil pessoas em dois dias, com os dois esgotados e gente de cento e vinte e cinco países no mesmo gramado do Parque Papa Francisco, o antigo Parque Tejo. Teve plateia cantando do começo ao fim com Katy Perry e Linkin Park, e o Pedro Sampaio comandou o maior “Cavalinho” do mundo, com um mar de gente fazendo a coreografia ao mesmo tempo. A Roberta Medina, que toca o festival, anda dizendo pra quem quiser ouvir que essa edição virou um encontro do planeta inteiro.
E agora vem a reta final, que promete arrancar suspiro. O grande nome do palco neste fim de semana é o Rod Stewart, e olha que sacada esperta: logo depois do show, eles vão botar um telão gigante pra transmitir Portugal contra Colômbia pela Copa do Mundo, juntando música e futebol na mesma noite, do jeitinho que enlouquece brasileiro e português. Sem falar no The Flight, aquele espetáculo que acontece fora dos palcos e que nasceu no Brasil, virou a atração mais comentada de Lisboa e ainda vai aterrissar no Rio em setembro.
Foi aí que minha amiga soltou a bomba que interessa pra gente deste lado do Atlântico. Lisboa é só o esquenta, porque a edição brasileira vem com tudo em setembro, na Cidade do Rock, lá no Parque Olímpico, espalhada pelos dias 4 a 13, e dois desses dias já estão com ingresso esgotado. O line-up é de fazer joelho tremer: Foo Fighters e Avenged Sevenfold dividindo o Palco Mundo com Calvin Harris, Black Eyed Peas, mgk, Bring Me The Horizon, a nossa Sepultura e até o Barão Vermelho reunido na formação original. Sentou que já era.
Desliguei a chamada com o coração disparado e o café já frio, porque babado bom esfria xícara. Essa ponte entre Lisboa e o Rio é linda de ver, com artistas e plateia atravessando o oceano de um festival pro outro no mesmo ano. Já avisei as meninas que setembro está bloqueado na minha agenda, porque eu não perderia a Cidade do Rock por nada. Quem viu Lisboa pegar fogo que se prepare, que o melhor desse roteiro ainda vai acontecer aqui pertinho de casa.