O repórter Guilherme Gonçalves, da Record, foi agredido durante uma entrada do Cidade Alerta em Rifaina, no interior de São Paulo. Uma mulher avançou contra o jornalista e tentou arrancar o microfone de suas mãos enquanto ele cobria o caso de João Roberto Bolelli, pecuarista encontrado morto na própria fazenda.
Eu já estava com os pés acomodados para a pedicure e as mãos separadas para a manicure quando vi a cena. E, sinceramente, é um daqueles vídeos que deixam qualquer pessoa com o estômago embrulhado: um caso gravíssimo, uma jovem morta e uma equipe de imprensa sendo atacada durante a apuração.

Segundo as informações divulgadas, a mulher seria parente de Bolelli e acusou os jornalistas de invadirem uma área particular. A equipe, porém, estava em uma estrada próxima à propriedade rural onde o corpo do pecuarista foi localizado. Depois da confusão, ela entrou em um carro e deixou o local.
Eu não vou fazer graça com uma história atravessada por violência contra uma mulher, porque não cabe. Mas é preciso dizer o óbvio: agressão não é resposta para reportagem, ainda mais quando a cobertura trata justamente de um caso que abalou duas cidades e deixou uma família em luto.
Bolelli, de 62 anos, era investigado pela morte a tiros de Priscila Lacerda Custódio, de 24. Segundo a apuração, ele estava foragido havia cinco dias quando foi encontrado morto em uma área de mata da fazenda onde vivia.
Priscila havia ido a Rifaina acompanhada do irmão e de uma amiga para devolver uma caminhonete que, segundo testemunhas, havia sido emprestada pelo pecuarista. A investigação apura se ele não aceitava o fim do relacionamento. Ela foi socorrida após os disparos, mas não resistiu.
Enquanto a manicure começava a cuidar das minhas mãos, eu só pensava no tamanho da crueldade que uma tragédia dessas espalha: uma jovem perde a vida, a polícia investiga, familiares ficam devastados e, no meio da cobertura, ainda aparece quem acha que pode intimidar jornalista para controlar a história.

O caso segue sob investigação. A morte de Bolelli ainda será esclarecida pelas autoridades, e a suspeita sobre o assassinato de Priscila também precisa respeitar o devido processo. Mas uma coisa já está gravada: a reportagem estava fazendo seu trabalho, e a violência contra quem noticia não apaga fato nenhum.