Amadinhos , estou em casa , de olho no Corcovado e no celular ao mesmo tempo, quando chegou a informação do Gabriel da Folha que eu precisava digerir com calma: Ratinho resolveu processar a deputada Erika Hilton depois que ela escreveu nas redes que ele é, e sempre será, um rato. O documento já corre na Justiça. A notificação para Hilton prestar esclarecimentos saiu no dia 17. O Ministério Público Federal tem até o fim de maio para se posicionar.
Para entender o caminho que levou a essa ação, é preciso voltar a março. Ratinho usou o microfone do seu programa no SBT para questionar se Hilton seria adequada para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados, argumentando que ela não seria mulher por ser transexual. As falas foram gravadas, viralizaram, e Hilton respondeu nas redes com a frase que virou peça jurídica: “Eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é, e sempre será, um rato.”



Hilton já havia tomado a iniciativa antes, processando Ratinho por transfobia, pedindo R$ 10 milhões e a suspensão do programa por 30 dias. O SBT informou que resolveu o assunto internamente, sem detalhar o que foi feito. Agora o apresentador virou do jogo e entrou com a própria ação, alegando que a resposta da deputada atingiu sua honra pessoal, que ele fez apenas crítica política, e que o comentário foi longe demais.
O impasse expõe uma disputa que vai muito além de ofensas trocadas em redes sociais. De um lado, uma deputada trans que reagiu publicamente ao que chamou de ataque inadmissível. Do outro, um apresentador histórico da televisão brasileira que entende que sua reputação foi ferida por uma declaração que ele classifica como ofensa pessoal. Os dois estão na Justiça ao mesmo tempo, cada um com o seu processo, cada um com a sua versão.
A assessoria de Hilton não se pronunciou até a publicação desta coluna. Ratinho, por sua vez, declarou que não comenta casos judiciais. O silêncio dos dois lados, neste momento, já diz muito sobre onde cada um decidiu travar essa batalha: dentro dos autos, longe dos microfones.