Meu celular não parou a manhã inteira. Primeiro ligou uma amiga da Barra. Depois uma do Complexo do Alemão. Depois a da Barra de novo. Todas desesperadas e todas a favor de Margareth Menezes. Gente, quando Barra e Alemão ligam juntas pela mesma causa, eu largo tudo e vou conferir.
A confusão começou com um manifesto. Mais de 200 nomes do meio artístico assinaram o “Manifesto por mudanças na Cultura Lula 4”, que cobra mudanças no comando e na condução do Ministério da Cultura a partir de 2027. A resposta veio de cima: Caetano Veloso, Maria Bethânia e Daniela Mercury foram a público defender a ministra.

Daniela foi a mais enfática. Ela lembrou que Margareth assumiu um ministério recriado depois de ter sido extinto no governo de Jair Bolsonaro e terminou sem rodeio: “Eu defendo a permanência da Ministra da Cultura, Margareth Menezes”. Bethânia escolheu a data simbólica e postou uma foto com a ministra no Dia Nacional da Cultura. Agora repara no Caetano. O apoio dele saiu no perfil de um coletivo ligado à produtora Paula Lavigne, mulher dele. Ali ele mandou um abraço e um beijo à ministra, que segundo ele tanto fez para ressuscitar o MinC.
E aí a coisa muda. Do outro lado não tem desafeto de governo. Entre os signatários estão Bruno Gagliasso, Johnny Massaro, Ruth Rocha, Anna Muylaert e Fernando Morais. O documento pede renovação na política cultural do próximo mandato de Lula. Ele critica a falta de um projeto estruturado e a dependência excessiva de editais e leis de incentivo fiscal. Margareth não aparece pelo nome, mas o texto questiona a condução da pasta nos últimos quatro anos. É briga dentro da mesma casa.
E o recado não é novo. Em setembro, outro manifesto de artistas, este em apoio à reeleição de Lula, já pedia que o ministério fosse além dos editais e cuidasse de Ancine, Iphan e Funarte. Margareth está no cargo desde janeiro de 2023 e ainda enfrenta a oposição na Câmara dos Deputados. Agora a pressão também vem da própria classe artística.

Pois é. De um lado, a ala que pede mudança. Do outro, Caetano, Bethânia, Daniela e as minhas amigas da Barra e do Alemão. A caneta é de Lula. O resto é torcida, e uma torcida de altíssimo nível.