Menu
Kátia Flávia
Kátia Flávia

Questionado sobre feminicídio, Zema diz ter “programas contra as mulheres” ao vivo na Globo

Ex-governador se enrolou ao responder sobre violência de gênero em Minas e transformou entrevista presidencial em constrangimento nacional

Kátia Flávia

25/08/2026 10h19

Romeu Zema foi questionado sobre feminicídio durante entrevista à TV Globo

Romeu Zema foi questionado sobre feminicídio durante entrevista à TV Globo

Romeu Zema foi questionado por Renata Vasconcellos sobre o aumento dos casos de feminicídio em Minas Gerais durante seu governo e sobre o que faria, caso eleito presidente, para combater a violência contra mulheres. A resposta começou com uma frase que paralisou a entrevista: “Eu tenho uma série de programas contra as mulheres”.

Eu estava saindo do pilates, guardando o caderno azul na bolsa e tentando decidir se parava para comprar água, quando vi o trecho. Fiquei parada na calçada. Porque você pode escorregar numa palavra, pode inverter uma frase, pode se atrapalhar diante da câmera. Mas falar em “programas contra as mulheres” justamente quando a pergunta é feminicídio exige uma reviravolta de roteiro que nem a política brasileira costuma entregar tão cedo.

 Ex-governador disse ter “programas contra as mulheres” antes de corrigir o sentido da resposta
Ex-governador disse ter “programas contra as mulheres” antes de corrigir o sentido da resposta

Zema tentou explicar que queria falar de políticas de proteção. Em seguida, citou a ampliação de delegacias especializadas, atendimento feito por mulheres capacitadas, casas de acolhimento e tornozeleiras eletrônicas para agressores.

“Uma mulher que foi vítima de violência doméstica precisa ter um lugar onde ficar, não pode voltar para casa”, afirmou. A proposta pode até ser discutida, mas a abertura da resposta engoliu o resto. Quando a frase sai tão errada, não há plano de governo que consiga correr mais rápido que o vídeo.

Eu comecei a caminhar devagar em direção à esquina e fui vendo a repercussão crescer no celular. O candidato tinha uma pergunta séria, uma chance de demonstrar preparo e um tema que exige precisão. Entregou uma gafe tão brutal que pareceu resumir o oposto do que ele tentava vender.

O ex-governador ainda falou em tecnologia para monitorar agressores, com alertas e acionamento da polícia quando eles se aproximassem das vítimas, além de ações de conscientização nas escolas. Só que uma campanha presidencial não vive apenas de intenção: vive de formulação, resposta rápida e capacidade de não dizer exatamente o contrário quando o assunto é violência contra a mulher.

Zema citou delegacias especializadas, casas de acolhimento e monitoramento de agressores
Zema citou delegacias especializadas, casas de acolhimento e monitoramento de agressores

Nas redes, o vídeo foi imediatamente compartilhado com incredulidade. E não era para menos. Se Zema quis falar de programas para mulheres, errou feio. Se a frase escapou por nervosismo, escapou no pior momento possível. Em política, especialmente numa entrevista ao vivo, a palavra errada não some quando acaba o bloco. Ela vira legenda, corte, meme e problema.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado