Meu povo, eu precisei parar tudo para processar essa história, porque ela tem aquele roteiro cruel que derruba qualquer um no meio da esteira. Eduardo Werneck Stevens, de 31 anos, morreu na madrugada da sexta-feira, 6 de março, no Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, em Curitiba, depois de passar dias internado em estado gravíssimo por causa de uma explosão seguida de incêndio no apartamento onde vivia, em Foz do Iguaçu. As informações confirmadas até agora apontam que ele teve cerca de 90% do corpo queimado, e a causa exata da explosão ainda dependia da conclusão dos laudos periciais.
Eduardo era daqueles nomes que circulavam com carinho no meio fitness de Foz. Atuava como personal trainer, também era empresário, e ganhou reconhecimento justamente pelo trabalho próximo com os alunos, com foco em saúde, bem-estar e evolução física. Sabe aquele profissional que não vira só “o cara do treino”, mas entra na rotina, acompanha meta, puxa disciplina e ajuda a reconstruir autoestima? Pois é. O noticiário local e os relatos publicados após a tragédia mostram esse retrato, de um treinador muito ligado à comunidade que formou ao redor dele. 

A explosão aconteceu na madrugada de 26 de fevereiro, por volta de 0h20, em um condomínio na Rua das Corbélias, no bairro Vila Yolanda. Segundo os relatos iniciais reunidos pelas reportagens, Eduardo estava no apartamento acompanhado de uma mulher, que saiu ilesa. O imóvel sofreu danos severos, com destruição interna importante, e as equipes de resgate foram acionadas logo depois do estrondo. 
Eu não tenho estrutura para a crueldade desse contraste, meu amor. Um homem conhecido por trabalhar corpo, saúde, constância e superação acabou vítima de um acidente doméstico devastador dentro de casa. Eduardo foi levado primeiro ao Hospital Municipal Padre Germano Lauck, em Foz do Iguaçu, e no dia seguinte transferido em aeronave médica para Curitiba, justamente por causa da gravidade das queimaduras. Lá, ficou internado na unidade de referência para grandes queimados, mas não resistiu. 
A repercussão em Foz ajuda a explicar por que a morte dele ultrapassou o registro policial e virou comoção coletiva. As reportagens destacam que Eduardo era reconhecido pela dedicação aos alunos, e publicações nas redes sociais associadas ao caso falam em marca profunda na vida de muitas pessoas e em homenagens feitas em nome dele. Até por isso, o nome do personal passou a circular não só como vítima de uma tragédia, mas como símbolo de disciplina, incentivo e presença real na vida de quem treinava com ele. 

No meio dos corredores e praticantes de atividade física, esse tipo de figura pesa muito. Não é só quem monta ficha ou cronometra tiro na pista. É quem vê a pessoa no dia ruim, no dia preguiçoso, no dia em que o aluno acha que vai desistir. Por isso a reação foi tão forte. A comunidade esportiva de Foz perdeu um profissional jovem, conhecido e querido, e essa dimensão aparece nas manifestações de luto, nas mensagens de solidariedade e nessa mobilização espontânea ao redor do nome dele. 
Também tem um capítulo importante nessa história que vai além da emoção. A Polícia Civil do Paraná informou que investiga a causa da explosão e ainda aguarda a conclusão dos laudos. Já os relatos iniciais citados pelas reportagens apontam a hipótese de acúmulo de gás no apartamento, mas isso ainda não estava oficialmente fechado. E aqui eu faço a pausa da perua com um pingo de seriedade, porque tragédias assim sempre reacendem o alerta sobre segurança doméstica, manutenção e prevenção de acidentes com gás. 
Eu tive que sentar para escrever esse desfecho, porque ele dói justamente por ser tão humano. Eduardo Werneck Stevens deixa os pais, Eloir e Rosa, além da irmã Maria Laura, e deixa também uma memória que, em Foz do Iguaçu, já está sendo tratada como legado afetivo e profissional. Para os alunos, colegas e corredores que conviveram com ele, ficou a imagem de um treinador que ajudava gente comum a perseguir meta, saúde e confiança. E isso, meu bem, numa cidade que agora o chora em coro, vale mais do que qualquer medalha pendurada no peito.