Trinta e um graus em Ibiza, sol gritando na rua, e a minha maquiagem já tinha pedido demissão antes do meio-dia. Foi exatamente nesse estado de derretimento que abri o material da Avon anunciado de São Paulo, no dia 28. A marca colocou Priscila Evellyn para abrir a nécessaire e contar o que usa. Eu queria saber. Vocês também.
A lista dela tem quatro nomes. Delineador Labial Retrátil Power Stay, que a marca apresenta como o primeiro delineador labial retrátil da Avon, com promessa de oito horas. Gloss Labial Brilhante, para usar sozinho ou por cima do batom. K-Pudim, da coleção Avon Sweets, linha inspirada em K-Beauty, acabamento matte que vai do lábio para a bochecha. E o Batom Líquido Matte Glitter Effect, com brilho ativado por fricção e promessa de dezesseis horas sem transferir. Priscila diz que batom é a peça final para ela se sentir com vibe de gostosa.

Agora o parágrafo que ninguém lê e que eu leio primeiro. Junto com a lista veio um cupom, AVONQGPRI, com 10% de desconto e validade de uma semana. Leiam as letras do meio do código com calma. É publicidade com prazo, funil montado, relógio correndo. Nada de errado nisso, desde que esteja dito.
E tem a informação de verdade, escondida no rodapé institucional. A Avon, fundada em 1886 e parte do grupo Natura desde 2020, informa que passou a operar sob modelo de Femtech em 2026, se define como startup do feminino e diz ter gestão majoritariamente feminina, com estratégia unificada do México à Argentina. Uma casa de 140 anos se apresentando como startup é uma decisão de posicionamento, não uma frase solta.
Os números que sustentam o discurso também estão lá. São 1,5 milhão de Consultoras de Beleza no social selling, uma rede de e-commerce e mais de 1.200 pontos de venda em varejistas multimarcas. A marca que se construiu tocando campainha agora depende de nécessaire aberta em vídeo vertical. As duas coisas convivem, e é isso que interessa.