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Kátia Flávia
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Principal âncora anuncia saída da CNN após 43 anos: “Noites sem dormir”

Christiane Amanpour fará seu programa diário até o fim do ano e seguirá na emissora semanalmente até junho de 2027

Kátia Flávia

20/10/2026 12h00

Christiane Amanpour anunciou que deixará a CNN após 43 anos na emissora

Christiane Amanpour anunciou que deixará a CNN após 43 anos na emissora

Christiane Amanpour anunciou que deixará a CNN após 43 anos de trabalho na emissora. A jornalista, principal âncora internacional do canal, informou ao vivo que apresentará seu programa diário até o fim de 2026 e, depois, seguirá com uma edição semanal até junho de 2027.

Eu já descia as escadas da Quinta da Regaleira, em Sintra, Portugal, quando li a fala dela e precisei parar. Porque não é uma demissão qualquer, meu amor. É uma mulher que ajudou a contar guerras, crises e mudanças de mundo decidindo encerrar um capítulo de mais de quatro décadas.

“Após pensar cuidadosamente durante muitos meses e algumas noites sem dormir, como podem imaginar, decidi me separar da CNN, minha parceira ao longo de 43 anos fantásticos. Mais do que muitos casamentos”, declarou Amanpour.

Eu olhei para aquele poço enorme da Regaleira e achei a comparação muito precisa. Quarenta e três anos de parceria têm mais profundidade do que muito romance de celebridade que começa com aliança, publi e termina antes da primeira reforma da cozinha.

Amanpour afirmou que seguirá aparecendo na programação como repórter e continuará viajando para cobrir notícias internacionais até junho do ano que vem. A transição começa no fim deste ano, quando o programa diário “Amanpour” deixa de ir ao ar todos os dias e passa a ter uma edição semanal.

Eu continuei a descida, degrau por degrau, pensando que ela está saindo como pouca gente consegue: com história, respeito e um calendário construído por ela mesma. Nada de sumiço, nada de corte seco, nada de despedida empurrada para debaixo do tapete.

A jornalista entrou na CNN em 1983 como assistente da mesa de pautas internacionais, em Atlanta, e se tornou uma das vozes mais reconhecidas do jornalismo mundial. Cobriu a Guerra do Golfo, a Guerra da Bósnia, o genocídio em Ruanda, a invasão do Iraque e grandes crises humanitárias, como o tsunami de 2004 e o terremoto no Haiti.

No meio daquele jardim cheio de mistério, eu pensei que Christiane Amanpour passou décadas em lugares onde a história doía de verdade. Ela entrevistou líderes, atravessou zonas de conflito e levou ao público relatos que muita gente preferia não ver. Não é pouca coisa deixar uma cadeira assim.

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