O apelo de Celso Portiolli na reta final do Teleton 2026 provocou críticas nas redes sociais pelo tom adotado pelo apresentador. A campanha da AACD atingiu a meta de R$ 30 milhões 38 minutos depois do horário programado para o encerramento, mas parte do público considerou excessiva a forma como o comunicador cobrou doações.
Em Angra, na área coberta da casa, com a chuva fina derrubando qualquer pretensão de passeio e as amigas ainda montando o brunch, eu continuava cortando frutas quando vi a repercussão. E entendi na hora que o problema não era o Teleton pedir ajuda, porque pedir ajuda é a alma da campanha. A discussão foi sobre a maneira como o pedido chegou à sala de quem estava assistindo.
“Mas ele está xingando o telespectador? Que postura agressiva”, escreveu o jornalista Felipe Mourão. “Agora fica gritando na TV com raiva porque não doam mais”, completou ele, criticando a mudança de tom de Portiolli durante a maratona.

O apresentador havia alertado que, sem novas contribuições, a AACD poderia deixar de realizar atendimentos. “Se você não nos ajudar, em breve teremos lágrimas por não termos batido a meta”, disse ele, citando artistas, famílias e crianças atendidas pela instituição.
Eu parei com a faca no ar porque é uma frase forte, sim. E talvez forte demais para quem já vive num país em que muita gente faz conta antes de decidir se compra pão, remédio ou paga uma doação. A emoção é legítima, a urgência da AACD é real, mas pressão não pode parecer bronca em quem está do outro lado.
Outros espectadores também reclamaram que o programa deveria ter encontrado uma forma mais criativa de mobilizar o público. “As pessoas não veem mais TV, tinham que fazer o Teleton no YouTube ou algum app”, escreveu um internauta. Outro resumiu a percepção de parte da rede: “É para doar ou é ameaça?”.

E eu faço questão de dizer uma coisa, minhas filhas: ninguém precisa diminuir o Teleton para discutir o discurso de uma noite. A campanha carrega uma história imensa, construída com o trabalho da AACD e com nomes como Silvio Santos e Hebe Camargo. Questionar um apelo específico não apaga esse legado nem desmerece quem precisa do atendimento.
A meta foi alcançada, o palco virou festa e Celso Portiolli comemorou ao lado de Patricia Abravanel. Mas ficou a lição para as próximas edições: solidariedade sensibiliza mais quando convida do que quando parece cobrar. Com a mesa do brunch finalmente pronta, eu servi meu café e deixei o recado da internet ecoando: causa nobre também merece tom à altura.