Meu café nem tinha esfriado no Cosme Velho quando chegou a sequência de “Quem Ama Cuida” que vai ao ar a partir de quarta-feira, dia 2. Li uma vez, li de novo e levei a mão no peito: Pilar vai pegar Ingrid no quarto de Iuri.
E não é visita de cortesia, meu povo. Ingrid passou a noite com o segurança e é surpreendida pela mãe logo depois. Pilar entra no banheiro, encontra a filha saindo do banho e entende tudo. Acabou a paz.
A indignação vem na mesma hora. Pilar considera inadmissível que Ingrid tenha se envolvido com Iuri dentro da casa dela e manda o segurança se afastar enquanto decide o que fazer.

Ingrid tenta sustentar que os dois são adultos, solteiros e que o romance aconteceu naturalmente. Pilar não compra. E aí começa a parte que noveleiro reconhece de longe: mãe e filha puxando um caminhão de ressentimentos para dentro da sala.
Pilar diz que Ingrid sempre foi motivo de orgulho e trata o envolvimento com Iuri como uma enorme decepção. Quando anuncia que pretende demitir o segurança, porém, a filha muda de posição e parte para cima.
E é aqui que eu abandono o café.

Ingrid acusa Pilar de estar usando as regras da casa para esconder ciúme. Vai além: lembra momentos em que a mãe teria demonstrado interesse por Iuri e diz, na cara dela, que Pilar gostaria de estar em seu lugar.
Minha filha, isso já seria suficiente para derrubar uma cristaleira inteira.
Mas Ingrid ainda mexe onde dói: afirma que isso não seria possível por causa da idade da mãe. Pilar se sente humilhada, perde o controle e dá um tapa na filha.
Agora prestem atenção em Isabel Teixeira e Agatha Moreira, porque esse tipo de cena depende menos do tapa e mais daqueles segundos imediatamente anteriores a ele. É olhar, silêncio, veneno acumulado e orgulho ferido.
E eu já escolhi meu lado: Ingrid pode viver o romance que quiser, mas jogar a idade da própria mãe no meio da briga foi gasolina na churrasqueira. Pilar errou ao bater, Ingrid acertou exatamente a ferida que queria atingir.
Depois desse tapa, Iuri deixou de ser apenas o segurança bonito no meio da confusão. Virou o homem capaz de colocar mãe e filha em lados opostos da casa. E noveleira velha sabe: quando um romance começa derrubando a família, o autor ainda nem abriu a gaveta das maldades.