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Kátia Flávia
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Pesquisa mostra Celina Leão na frente com 51% e disputa proporcional pulverizada no DF

Levantamento da American Analytics do Brasil também registra nomes conhecidos e candidatos que voltam ao cenário eleitoral na corrida pela CLDF, como o ex-deputado federal Luis Miranda

Kátia Flávia

30/09/2026 18h01

Pesquisa da American Analytics do Brasil registra Celina Leão com 51% das intenções de voto para o Governo do Distrito Federal.

Pesquisa da American Analytics do Brasil registra Celina Leão com 51% das intenções de voto para o Governo do Distrito Federal.

A reta final das eleições de 2026 no Distrito Federal mostra cenários distintos conforme o cargo em disputa. Na corrida pelo Governo do DF, há uma distância grande entre os primeiros colocados. Nas disputas pelas oito vagas da Câmara dos Deputados e pelas 24 cadeiras da Câmara Legislativa (CLDF), os candidatos aparecem em faixas de percentual muito próximas.

É o que indica pesquisa da American Analytics do Brasil, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número DF-03259/2026. Foram ouvidos 2.000 eleitores entre 26 de setembro e 29 de setembro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Governo do DF: Celina Leão abre 27 pontos

A governadora Celina Leão (PP) aparece com 51% das intenções de voto. Leandro Grass (PT) tem 24%, Paula Belmonte (PSDB) 6% e Cappelli (PSB) 4%. A vantagem de Celina sobre Grass, de 27 pontos percentuais, é muito maior que a margem de erro da pesquisa.

O cenário foi medido depois de o TSE confirmar, por 5 votos a 2, o indeferimento da candidatura de José Roberto Arruda ao governo, decisão tomada em 24 de setembro. Por isso, a disputa testada na pesquisa não inclui o ex-governador.

Celina assumiu o Governo do Distrito Federal após a saída de Ibaneis Rocha, que deixou o cargo para disputar o Senado. Os dois foram eleitos em 2022 como governador e vice-governadora, com 832.633 votos (50,30% dos válidos), ainda no primeiro turno.

Os percentuais variam entre os institutos, algo esperado quando período de campo, amostra e metodologia são diferentes. O Datafolha divulgado em 24 de setembro, por exemplo, registrou 42% para Celina e 23% para Grass em cenário sem Arruda. Cada pesquisa é uma fotografia do eleitorado no momento da coleta.

Câmara dos Deputados: Félix aparece na frente, mas sem distância estatística

Para as oito vagas federais do DF, a pesquisa da American Analytics mede a intenção espontânea, sem lista de nomes apresentada ao eleitor. Fábio Félix (PSOL) aparece numericamente em primeiro, com 3,98%. Em seguida estão Rafael Prudente (MDB), com 2,74%, Júlio César (Republicanos), com 2,21%, Izalci Lucas (PL), com 2,03%, e Alberto Fraga (PL), com 1,94%. Fred Linhares (Republicanos) registra 1,41% e Rodrigo Rollemberg (PSB), 0,97%.

A diferença entre Félix e Prudente, segundo colocado, é de 1,24 ponto percentual, abaixo da margem de erro de 2,2 pontos. Por isso, a pesquisa não permite afirmar que o candidato do PSOL esteja estatisticamente à frente dos cinco primeiros colocados. Por ser espontânea, a pesquisa mede também a lembrança dos nomes no momento da coleta.

Félix é deputado distrital, eleito em 2018 com 10.955 votos e reeleito em 2022 com 51.792. É assistente social e professor, e foi o primeiro deputado distrital assumidamente gay da CLDF. Esta é a primeira vez que disputa uma vaga na Câmara dos Deputados.

Prudente busca a reeleição como deputado federal, conforme confirmou a convenção do MDB-DF, em 1º de agosto. Foi o primeiro parlamentar do DF a presidir a Câmara Legislativa duas vezes consecutivas na mesma legislatura. Júlio César foi reeleito em 2022 com 76.274 votos, já foi secretário de Esportes do DF e disputa o terceiro mandato.

Câmara Legislativa: 1º e 10º separados por 1,3 ponto

Na disputa pelas 24 cadeiras da CLDF, o quadro é ainda mais fragmentado. Joaquim Roriz Neto (PL) lidera numericamente, com 4,0%. Chico Vigilante (PT) e Jaqueline Silva (MDB) aparecem com 3,3% cada, Wellington Luiz (MDB) com 3,2% e Martins Machado (Republicanos) com 3,1%.

A lista segue com Pastor Daniel de Castro (PP) e Renata D’Aguiar (Republicanos), com 2,9% cada, André Kubitschek (PL) e Delegado Fernando Fernandes (Republicanos), com 2,8%, e Max Maciel (PSOL) e Luis Miranda (Democrata), com 2,7%.

O dado mais relevante está na proximidade dos percentuais. A diferença entre Roriz Neto, primeiro, e Max Maciel e Luis Miranda, empatados em décimo, é de 1,3 ponto percentual, menor que a margem de erro. Mesmo entre o primeiro e o 14º colocado, a distância é de 1,7 ponto. A pesquisa, portanto, não sustenta uma hierarquia estatisticamente definida entre esses nomes.

Roriz Neto carrega o sobrenome de uma das famílias mais conhecidas da política do DF: é neto do ex-governador Joaquim Roriz. Chico Vigilante e Jaqueline Silva já ocupam cadeiras na CLDF.

Luis Miranda registra 2,7%, na 10ª posição, e Jorge Vianna, 2,3%, na 14ª, empatado com Cláudio Abrantes (União Brasil). A diferença de 0,4 ponto percentual entre os dois é menor que a margem de erro de 2,2 pontos, o que impede apontar qual está à frente.

Luis Miranda é ex-deputado federal e volta a disputar uma eleição no Distrito Federal, agora por uma das 24 vagas da CLDF. Foi eleito em 2018 com 65.107 votos e exerceu o mandato entre 2019 e 2023. Ganhou projeção nacional ao participar de debates no Congresso Nacional e de discussões em instâncias jurídicas sobre o chamado rol taxativo da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A medida estabelece que os planos de saúde devem, em regra, garantir a cobertura dos tratamentos, exames e procedimentos previstos na lista de referência da agência, tema que gerou amplo debate sobre os limites da cobertura oferecida aos beneficiários. A mobilização envolveu a defesa de tratamentos essenciais para pessoas com deficiência e autismo, assegurando a continuidade de terapias cobertas por planos de saúde. Em 2022, Luis tentou retornar à Câmara dos Deputados por São Paulo e ficou na suplência, com 8.931 votos.

Do mesmo partido, o Democrata, que integra a coligação da governadora Celina Leão, aparece muito próximo dele na pesquisa o deputado distrital Jorge Vianna, com 2,3%. A diferença de 0,4 ponto percentual entre os dois é menor que a margem de erro. Vianna é técnico em enfermagem e servidor concursado da Secretaria de Saúde. Trabalhou no Samu, onde se formou instrutor, e foi eleito deputado distrital pela primeira vez em 2018, com 13.070 votos. Em 2022, foi reeleito com 30.640.

Entre os dois candidatos do Democrata na lista aparece Eduardo Pedrosa (União Brasil), com 2,4%, na 12ª posição, empatado com Pepa (PP). Pedrosa é deputado distrital e é cotado para disputar a presidência da CLDF caso seja reeleito.

Pesquisa não equivale a projeção de cadeiras

O levantamento é de intenção espontânea e representa o momento da coleta. A eleição para a CLDF e para a Câmara dos Deputados é proporcional: a posição nominal na pesquisa não corresponde, por si só, a uma projeção de cadeiras. A composição partidária, a votação total das legendas e federações e as regras de distribuição das vagas também interferem no resultado.

Na prática, a pesquisa mostra dois comportamentos. No governo, Celina Leão aparece com folga à frente. Nas disputas proporcionais, os candidatos ficam em faixas muito próximas, e diferenças de décimos ou poucos pontos precisam ser lidas dentro da margem de erro. O primeiro turno será em 4 de outubro.

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