Estava no carro, indo para minha casa no Cosme Velho, quando o incrível Migalhas ( esse portal jurídico que eu amo!) me ligou com essa decisão. Tive que pedir pro motorista repetir o endereço porque eu perdi o fio completamente. Paula Schmitt condenada. R$ 8 mil. Basília Rodrigues. Cota racial. Tudo isso junto, em 2026, saindo de uma sentença judicial.
Em novembro de 2023, Paula Schmitt estava ao vivo na Jovem Pan comentando a indicação de Flávio Dino ao STF e disse, sem pedir licença à inteligência: “Teve uma jornalista da CNN que falou sobre isso. Acho que ela entrou por uma cota também.” A jornalista era Basília Rodrigues, que é negra, que tem carreira construída, e que não foi contratada por cota nenhuma, como a própria Justiça apurou e registrou na sentença.



O comentário foi infeliz num nível que vai além do erro de análise. Sugerir que uma profissional negra está onde está por política afirmativa, sem prova, sem contexto, ao vivo, é desqualificar a trajetória dela inteira com uma frase de passagem. Paula falou como quem acha que está sendo espirituosa e não percebeu que estava sendo outra coisa.
A juíza Anne Karinne Tomelin entendeu que a crítica foi estendida a Basília com menosprezo à sua atuação profissional e à sua capacidade técnica, sem qualquer comprovação de que ela tivesse sido contratada por política afirmativa.
A conduta de Paula foi considerada temerária porque ela replicou o conteúdo nas redes sociais mesmo após a Jovem Pan já ter feito retratação pública. Retratação que, registre-se, foi endereçada a Flávio Dino. À Basília, nada. A jornalista negra com a honra profissional atacada não recebeu um pedido de desculpas sequer da emissora.
A Justiça fixou R$ 8 mil por danos morais e determinou retratação pública. Cabe recurso. Mas o que não cabe mais recurso é o comentário que foi feito. Esse já está no ar, gravado, transcrito e agora também no corpo de uma sentença judicial.
Confira o vídeo: