O pastor e empresário Márcio Poncio foi preso nesta quinta-feira (2) pela Polícia Federal, na 5ª fase da Operação Unha e Carne. Patriarca da família Poncio, famosa nas redes por luxo, escândalos e comparações com as Kardashians, ele é investigado por possíveis ligações com a chamada “Máfia do Cigarro”.
Eu já estava colocando a roupa da academia no Cosme Velho, com o tênis numa mão e a garrafinha de água na outra, tentando convencer meu corpo de que esteira também é autocuidado, quando veio a notícia: Márcio Poncio preso. Minha filha, sentei na ponta da cama na hora. Porque quando o patriarca dos Poncio, essa dinastia gospel-pop-ostentação que eu conheço bem demais para fingir surpresa, cai numa operação da Polícia Federal, nem o agachamento é mais urgente que a fofoca.

Segundo o g1, agentes prenderam Poncio em um flat na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Pastor da Igreja da Nuvem e empresário, ele é pai da deputada estadual Sarah Poncio e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K.
A Polícia Federal informou que esta fase “busca aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo ‘capo’ da nova cúpula do jogo do bicho (Adilsinho) e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do RJ”.
Olha o tamanho do roteiro: pastor, cigarro, jogo do bicho, lavagem de dinheiro, política fluminense e família influencer. Se isso fosse sinopse de streaming, alguém diria que exageraram no tempero. Mas no Rio de Janeiro, infelizmente, a realidade adora disputar audiência com a ficção.
Márcio Poncio, aliás, já tinha falado publicamente sobre sua relação com o ramo de cigarros. Em entrevista antiga à coluna de Leo Dias, no Metrópoles, ele contou que começou a trabalhar em uma fábrica ainda jovem e depois se tornou dono de uma fábrica de cigarros.
“Estava na Igreja e Deus me disse que estaria me abrindo uma porta de emprego naquela semana. E consegui um emprego, aos 18 anos, em uma fábrica de cigarro”, disse na época. Segundo ele, começou como peão, abastecendo máquina, passou para vendas e cresceu no ramo.
Na mesma entrevista, ele rebateu críticas religiosas ao negócio. “Não sinto culpa por isso. Conversava com meu pastor e ele disse que eu não podia fazer o que a lei não permite que você faça. O que é permitido, posso fazer. Se eu não fabricar, se não trabalhar nesse ramo, alguém vai fazer”, afirmou.
E é aqui que a história ganha aquele brilho de novela de família rica com culto, mansão e barraco de internet. Os Poncio viraram fenômeno nas redes justamente por uma mistura de ostentação, fé, música, escândalos amorosos e vida familiar exposta em alto volume. O próprio Márcio já brincou com a comparação ao clã Kardashian.
Perguntado se a família seria uma versão brasileira das Kardashians, ele respondeu: “Só se formos os Kardashians pobres de Caxias”.
Pobres, meus amores, era força de expressão. Na entrevista, ele falou sobre filhos ganhando alto com publicidade, mansão com 11 suítes, heliponto e vida de luxo. Também disse que Saulo e Sarah largaram caminhos tradicionais para viver das redes sociais e que a exposição transformou a família em símbolo de ostentação.
“Cada um deles aqui em casa ganhava mais de R$ 300 mil por mês com isso”, contou na época, ao falar da vida digital dos filhos.
Agora, o patriarca desse enredo foi preso em uma operação que mira lavagem de dinheiro e possíveis ramificações políticas. A Polícia Federal ainda apura os indícios, e a defesa dos investigados não havia sido localizada pelo g1 até a publicação da reportagem.

Eu, que sou íntima de meio mundo e já vi muito camarote virar delegacia antes do segundo drink, digo sem rodeio: a prisão de Márcio Poncio não é só caso policial. É a queda simbólica de um personagem que sempre misturou púlpito, dinheiro, família, internet e controvérsia.
A família que um dia sonhou com reality à brasileira agora acorda dentro de outro tipo de série. Só que, desta vez, não tem vinheta glamourosa, mansão cinematográfica nem frase de efeito para stories. Tem Polícia Federal batendo à porta, investigação em andamento e a Operação Unha e Carne colocando o clã no centro de um dos casos mais delicados de sua história pública.