Aqui é Kátia Flávia, amor, diretamente do Cosme Velho, com o jogo da Seleção Brasileira passando em telão na sala e um misto de salão de beleza e botequim chique acontecendo ao mesmo tempo. A bola rolando no NRG Stadium, o Japão se achando, o Brasil nervoso, e eu com metade da elite carioca sentada no meu sofá, discutindo qual jogador está mais bonito no close. Quando veio o 2 a 1, aquele gol do Martinelli no fim, eu já estava pronta para abrir espumante, até que o verdadeiro show começou: não foi em campo, foi no microfone.
Enquanto o Brasil virava o jogo, Pato resolveu que era dia de fazer circo tático com nome e sobrenome: pegou Gabriel Magalhães pela mão, ao vivo, e chamou de problema na saída de bola, dizendo que o zagueiro não levava o time da defesa para o ataque. Em seguida, sugeriu Léo Pereira na vaga, como se estivesse mexendo em elenco de reality show e não na Seleção Brasileira em Copa do Mundo. Galvão, que não nasceu ontem, rebateu dizendo que Gabriel estava fazendo o papel dele, defendendo o jogador e o conceito de zagueiro que não precisa sair driblando todo mundo para ser eficiente. E foi aí que Pato mandou a frase que acendeu o barraco: “Galvão, eu entendo um pouquinho de futebol”.

Daqui, eu vi a plateia da minha casa dividir torcida mais rápido que brasileiro escolhe lado em paredão de reality. A turma do “Pato sincero” aplaudindo a coragem de criticar titular de Seleção Brasileira em tempo real, e a turma do “respeita o Galvão” lembrando que o narrador já viu mais Copas do Mundo do que muito jogador viu treino. O ponto é que Gabriel, que tinha acabado de participar da reação brasileira, virou assunto como se fosse vilão da história, enquanto o placar lá em cima mostrava o contrário: Brasil classificado, Japão de mala pronta, e o zagueiro vivendo a estranha experiência de ser protagonista da treta sem ter aberto a boca.

O contexto que ninguém na transmissão quis explicar é que Gabriel chega nessa Copa do Mundo carregando um currículo pesado: titular do Arsenal, considerado um dos melhores da Premier League, peça importante na zaga da Seleção Brasileira e alvo constante de debate entre quem ama zagueiro clássico e quem exige meia-armador na função. Em dia de jogo nervoso, qualquer passe mais quadrado vira munição para comentarista querendo mostrar serviço. Pato foi direto na jugular da “condução”, como se a responsabilidade fosse só dele, enquanto Galvão fez o papel de advogado da defesa, lembrando que futebol é sistema, não teste individual em TV.
Nas redes, claro, o corte da discussão já estava circulando antes do apito final, com fã do Arsenal defendendo Gabriel, torcida brasileira batendo boca em thread e memeiro de plantão repetindo mil vezes o “eu entendo um pouquinho de futebol” com a cara dos dois estampada. E aqui, da varanda do Cosme Velho, eu só consigo tirar uma conclusão: no 2 a 1 do Brasil contra o Japão, quem saiu com reputação mais arranhada não foi o zagueiro criticado, foi o equilíbrio de quem prefere transformar comentário em show de ego, mesmo quando a Seleção Brasileira está virando um jogo de Copa do Mundo. Porque, convenhamos, meu bem, se tem alguém que realmente entendeu um pouquinho de futebol naquela tarde, foi o placar que ignorou o barraco e seguiu entregando classificação.