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Kátia Flávia
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Padre afastado por suspeita de abuso já foi acusado de agredir travesti

O padre Ademar Pimenta, que atuava em Saquarema, foi suspenso pela Arquidiocese de Niterói depois que acusações de abuso contra crianças e jovens viralizaram nas redes. E o currículo do religioso já carregava uma agressão a uma travesti dentro da igreja em 2008.

Kátia Flávia

09/06/2026 8h43

Afastado após denúncias de abuso, o padre Ademar Pimenta volta ao centro das atenções por um episódio que já havia gerado polêmica em 2008. Entenda o caso.

Afastado após denúncias de abuso, o padre Ademar Pimenta volta ao centro das atenções por um episódio que já havia gerado polêmica em 2008. Entenda o caso.

O padre Ademar Pimenta, que comandava a paróquia Nossa Senhora de Nazaré, em Saquarema, no Rio de Janeiro, foi afastado neste fim de semana. A medida veio depois que relatos de fiéis acusando o religioso de abusos contra crianças e jovens ganharam força nas redes sociais no domingo. A Arquidiocese de Niterói confirmou em nota que ele passa a ser, nas palavras da própria Igreja, suspenso de ordem para tratar da saúde.

Quem assinou o comunicado foi o padre Hugo dos Santos Nascimento, coordenador de comunicação da arquidiocese, que embrulhou o afastamento num papel de cuidado médico. A pressão pública foi o motor de tudo, porque o assunto explodiu de timeline em timeline antes de a instituição se mexer. Enquanto a apuração corre, o nome do padre virou o centro de uma fervura que a Igreja adoraria abafar.

O religioso já tinha aparecido numa cena pesada dentro de um templo antes dessa. Em 2008, ele foi acusado de agredir Fabiano Fontes Figueira, a travesti Mayara, durante uma missa na Igreja Matriz de São Gonçalo. Mayara contou que se revoltou com um sermão do padre contra gays, subiu ao altar e levou uma sequência de chutes do religioso na frente de toda a congregação.

O que veio depois é o que mais pesa nessa história. Segundo o relato dela, o padre seguiu com a celebração normalmente e ainda foi ovacionado pelos fiéis no fim da missa, enquanto ela saía com as pernas marcadas de roxo. Mayara registrou queixa na 72ª Delegacia de Polícia, fez exame de corpo de delito, e ainda assim o caso terminou arquivado.

Na época, ela cravou que estranhava ver um padre negro, conhecedor da dor das minorias, agir com tanto preconceito. Agora, com uma denúncia bem mais grave batendo à porta, a mesma batina que pregava moral do alto do altar é a que está sendo afastada às pressas. Padre que distribui sermão de microfone na mão e chute no altar tem muito o que explicar antes de receber qualquer aplauso.

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