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Kátia Flávia
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Oswaldinho do Acordeon morre aos 72 anos e deixa a sanfona brasileira de luto

Músico que cresceu ao lado de Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Sivuca morreu neste domingo (25). A causa da morte ainda não foi divulgada.

Kátia Flávia

26/10/2026 8h18

Oswaldinho do Acordeon morreu aos 72 anos, deixando um legado de mais de seis décadas na música brasileira.

Oswaldinho do Acordeon morreu aos 72 anos, deixando um legado de mais de seis décadas na música brasileira.

Minha gente, eu ainda estava tentando me recuperar da ressaca eleitoral de domingo quando recebi uma ligação lá do Nordeste que me fez esquecer até a política. Do outro lado da linha, veio a notícia da morte de Oswaldinho do Acordeon, aos 72 anos. Fiquei passada. Porque não estamos falando apenas de um sanfoneiro. Estamos falando de um homem que ajudou a levar a música brasileira para o mundo e fez da sanfona um instrumento sem fronteiras.

Oswaldinho morreu neste domingo (25), e a notícia foi comunicada pelo sanfoneiro Rodolfo Forte, amigo do artista, e pelo radialista Orlando Camboim. Até o momento, a causa da morte não foi divulgada. E eu fiquei pensando como o Brasil, às vezes, demora a reconhecer o tamanho dos seus próprios gigantes.

Nascido Oswaldo de Almeida e Silva, em 5 de junho de 1954, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ele era filho do sanfoneiro baiano Pedro Sertanejo. Aprendeu a tocar de maneira autodidata, incentivado pelo pai, e cresceu convivendo com três monumentos da música brasileira: Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Sivuca. Imaginem a infância desse menino! Enquanto muita criança aprendia as primeiras notas, Oswaldinho tinha verdadeiras universidades da sanfona frequentando a casa da família.

E o talento apareceu cedo. Aos nove anos, em 1963, já participava de uma gravação do pai. Aos 12, lançou seu primeiro compacto. Na década de 1970, vieram os discos próprios e uma carreira que atravessaria seis décadas. Oswaldinho não se contentou em tocar apenas o forró tradicional. Misturou ritmos nordestinos com rock, jazz, blues e música erudita. Em 1981, lançou Forró in Concert, trabalho que contribuiu para sua presença em festivais europeus. Era a sanfona brasileira mostrando que podia conversar com qualquer gênero musical.

Mas foi o depoimento de Rodolfo Forte que mais me tocou. Em uma homenagem publicada no Instagram, o músico lembrou a generosidade de Oswaldinho e contou que sua primeira participação em um disco aconteceu graças a ele. Também recordou a amizade entre as famílias e a preocupação do artista com as dificuldades enfrentadas pelos amigos. Rodolfo escreveu que, com sua partida, desaparece o último dos quatro nomes que, em sua avaliação, transformaram a história da sanfona: Luiz Gonzaga, Sivuca, Dominguinhos e Oswaldinho. Chico César também prestou homenagem ao músico, afirmando que sua obra permanecerá viva.

Eu desliguei o telefone com aquela sensação amarga de que estamos perdendo uma geração que não precisava de algoritmo para conquistar respeito. Precisava de talento, estudo, estrada e instrumento na mão. Oswaldinho fez tudo isso. E fez muito bem.

A política continuará produzindo suas disputas, seus discursos e seus personagens. Mas hoje eu prefiro prestar atenção no silêncio que ficou depois da última nota de uma

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