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Kátia Flávia
Kátia Flávia

Onças-pintadas viram leilão de luxo brasileiro em Miami

Onça-pintada de fibra virou objeto de desejo da elite cultural que circula entre Miami e a Faria Lima, com leilão beneficente que promete esvaziar carteira de colecionador em nome da bicha mais ameaçada do cerrado.

Kátia Flávia

25/06/2026 19h30

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Carolina Barreto (sócia-diretora e cofundadora da Artery), responsável pelo planejamento e expansão global do projeto focado na preservação da onça-pintada

Meninas, eu estava aqui em Petrópolis dando a última borrifada no meu perfume pra descer pro jantar quando o celular chamou em vídeo e quase derrubei o vidro de tanta animação. Era pra me contar do coquetel da Jaguar Parade Miami 2026, e quem me conhece sabe: galeria de arte é a minha fraqueza, perco a linha por uma boa exposição igual perco por um bom champanhe.

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Evento na Emporium B. Gallery celebra exposição em cartaz até 20 de julho. Leilão das esculturas, cujo lucro líquido vai integralmente para o Onçafari começou dia 22 de junho e segue até dia 30 de julho

Vamos aos fatos, que essa colunista é séria mesmo de roupão. Na noite de 22 de junho rolou um coquetel chiquérrimo na Emporium Gallery, em Miami, reunindo imprensa, influenciador e apoiador da causa. O projeto espalhou onze esculturas de onças-pintadas feitas por artistas brasileiros em pontos estratégicos da cidade desde 10 de junho, e elas ficam em cartaz até 20 de julho. Ou seja, a felina brasileira está desfilando por Miami como musa de verão, e ninguém segura.

Teve até pompa diplomática no rolê. O cônsul-geral adjunto do Brasil em Miami apareceu com a esposa, e o padrinho da festa foi o Léo Fuchs, produtor cultural brasileiro radicado por lá há mais de duas décadas, dessas figuras que conhecem todo mundo que interessa na cidade. Emissora local foi cobrir, e a CEO da Artery, a Carol Barreto, garantiu que ver gente se emocionando e querendo levar um pedaço da causa pra dentro de casa prova que o projeto vai além da arte de calçada.

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Na noite de 22 de junho rolou um coquetel chiquérrimo na Emporium Gallery, em Miami, reunindo imprensa, influenciador e apoiador da causa

Agora vem a parte que faz o coração capitalista dessa colunista disparar. As tais onças vão a leilão, com a mobilização começando já e o martelo previsto pra julho (o convite que recebi falava em obras à disposição entre 22 de junho e 30 de julho, anota aí na agenda quem tem cartão sem limite). E olha a generosidade: cem por cento do lucro líquido vai pro Onçafari, a ONG que cuida da preservação da onça-pintada e que está completando 15 anos de estrada. Quer dizer, o colecionador leva a escultura pra sala e ainda sai com aura de salvador da fauna. Marketing afetivo nível mestre.

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O evento contou com a presença do cônsul-geral adjunto do Brasil em Miami e sua esposa, apoiadores do projeto, e de Léo Fuchs, produtor cultural brasileiro radicado em Miami e padrinho da iniciativa

O Onçafari, diga-se, não é amador no assunto. A turma opera 23 bases em nove estados brasileiros, gerencia mais de 125 mil hectares na unha e influencia mais de 2 milhões de hectares de áreas protegidas. Por trás de cada onça de fibra tem bicho de verdade sendo monitorado no cerrado e no Pantanal, então a brincadeira de arte vira política ambiental séria com glitter por cima. Eu aplaudo a jogada, porque transformar onça em peça de decoração de gente endinheirada e ainda salvar o bicho original é golpe de mestre.

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Giovane Pasa (CEO e fundador da agência Artery), idealizador e produtor global da exposição urbana e Carolina Barreto

E o casting de patrocínio dá inveja a festa de gala. Realização da Artery com a Guardians of Life e apoio do Ministério da Cultura, apresentação de Stella e FF Seguros via Lei Rouanet, patrocínio diamante de Eucatex, VisionOne e Natoo, mais Embratur e o Governo de Mato Grosso do Sul dando força, fora o Consulado-Geral em Miami e o PNUD de parceiros institucionais. Quando vejo esse tanto de marca grande junta numa causa só, eu sei que o assunto é poder de verdade vestido de boa intenção.

Fechei o perfume, ajeitei o brinco e desci pro jantar já tramando como faço pra arrematar uma dessas onças sem que meu contador tenha um troço. Porque arte com causa é o único luxo que essa colunista compra sem nem pestanejar.

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