Meninas, eu estava aqui em Petrópolis dando a última borrifada no meu perfume pra descer pro jantar quando o celular chamou em vídeo e quase derrubei o vidro de tanta animação. Era pra me contar do coquetel da Jaguar Parade Miami 2026, e quem me conhece sabe: galeria de arte é a minha fraqueza, perco a linha por uma boa exposição igual perco por um bom champanhe.

Vamos aos fatos, que essa colunista é séria mesmo de roupão. Na noite de 22 de junho rolou um coquetel chiquérrimo na Emporium Gallery, em Miami, reunindo imprensa, influenciador e apoiador da causa. O projeto espalhou onze esculturas de onças-pintadas feitas por artistas brasileiros em pontos estratégicos da cidade desde 10 de junho, e elas ficam em cartaz até 20 de julho. Ou seja, a felina brasileira está desfilando por Miami como musa de verão, e ninguém segura.
Teve até pompa diplomática no rolê. O cônsul-geral adjunto do Brasil em Miami apareceu com a esposa, e o padrinho da festa foi o Léo Fuchs, produtor cultural brasileiro radicado por lá há mais de duas décadas, dessas figuras que conhecem todo mundo que interessa na cidade. Emissora local foi cobrir, e a CEO da Artery, a Carol Barreto, garantiu que ver gente se emocionando e querendo levar um pedaço da causa pra dentro de casa prova que o projeto vai além da arte de calçada.

Agora vem a parte que faz o coração capitalista dessa colunista disparar. As tais onças vão a leilão, com a mobilização começando já e o martelo previsto pra julho (o convite que recebi falava em obras à disposição entre 22 de junho e 30 de julho, anota aí na agenda quem tem cartão sem limite). E olha a generosidade: cem por cento do lucro líquido vai pro Onçafari, a ONG que cuida da preservação da onça-pintada e que está completando 15 anos de estrada. Quer dizer, o colecionador leva a escultura pra sala e ainda sai com aura de salvador da fauna. Marketing afetivo nível mestre.

O Onçafari, diga-se, não é amador no assunto. A turma opera 23 bases em nove estados brasileiros, gerencia mais de 125 mil hectares na unha e influencia mais de 2 milhões de hectares de áreas protegidas. Por trás de cada onça de fibra tem bicho de verdade sendo monitorado no cerrado e no Pantanal, então a brincadeira de arte vira política ambiental séria com glitter por cima. Eu aplaudo a jogada, porque transformar onça em peça de decoração de gente endinheirada e ainda salvar o bicho original é golpe de mestre.

E o casting de patrocínio dá inveja a festa de gala. Realização da Artery com a Guardians of Life e apoio do Ministério da Cultura, apresentação de Stella e FF Seguros via Lei Rouanet, patrocínio diamante de Eucatex, VisionOne e Natoo, mais Embratur e o Governo de Mato Grosso do Sul dando força, fora o Consulado-Geral em Miami e o PNUD de parceiros institucionais. Quando vejo esse tanto de marca grande junta numa causa só, eu sei que o assunto é poder de verdade vestido de boa intenção.
Fechei o perfume, ajeitei o brinco e desci pro jantar já tramando como faço pra arrematar uma dessas onças sem que meu contador tenha um troço. Porque arte com causa é o único luxo que essa colunista compra sem nem pestanejar.










