Craque Neto detonou Neymar durante o programa “Os Donos da Bola”, da Band, ao comentar a notícia de que o atacante teria chorado no vestiário da Seleção Brasileira após a partida contra a Escócia, pela Copa do Mundo. O apresentador ironizou a emoção do jogador e citou até um relógio avaliado em US$ 1 milhão, comprado recentemente pelo camisa 10.
Eu ainda estava no salão, já naquela etapa em que a pessoa não sabe se está ficando loira, milionária ou vítima de uma experiência química, quando a televisão do canto resolveu entregar Neto berrando contra Neymar. A escova nem tinha começado e eu já estava com o pescoço virado para a tela, porque quando o homem mistura Copa, choro e relógio de um milhão de dólares, a fofoca entra em campo sem pedir aquecimento.

“Ôh cara para chorar, hein?! Não é possível, velho!”, disparou Neto. “Não joga, não faz um gol, está há 43 dias sem jogar, é a quarta Copa do Mundo”, completou o apresentador, sem economizar no tom.
Neymar teria chorado sozinho no vestiário após voltar a defender a Seleção Brasileira depois de 981 dias. Ele entrou no segundo tempo da vitória por 3 a 0 contra a Escócia, em Miami, mas não teve grande destaque na partida.
Neto, porém, não comprou a comoção. Pelo contrário. Pegou o lenço da emoção, torceu no tanque da ironia e ainda pendurou no varal da ostentação.
“Ôh caboclo para chorar, hein!? Nunca vi um rapaz chorar igual ao Neymar! Mas quando vai para a balada, não chora! Quando termina o jogo e vai abraçar as filhas, o filho, o pai, a mãe, a avó… Quando vai trocar o relógio de 1 milhão de dólares, não chora!”, afirmou.
Minha filha, foi uma entrada de carrinho verbal. Daquelas que o VAR olha, suspira e manda seguir só porque sabe que o programa do Neto vive disso. O apresentador pegou justamente o contraste que enlouquece a internet: o jogador emocionado no vestiário e, poucos dias depois, aparecendo ao lado do joalheiro Jacob Arabo, fundador da Jacob & Company, em vídeo ligado à compra de um relógio milionário.
A peça, segundo a reportagem, é avaliada em US$ 1 milhão. Convertendo por alto, é coisa de mais de R$ 5 milhões. Ou seja, um relógio que não marca hora, marca desigualdade, pauta esportiva e três dias de briga no grupo da família.
Neymar voltou à Seleção Brasileira em meio a uma Copa do Mundo cercada de expectativa, cobrança e desconfiança. Para parte da torcida, o choro seria sinal de alívio depois de um longo período longe da Amarelinha. Para Neto, virou munição. O apresentador cobrou desempenho, lembrou o tempo sem jogar pela Seleção e tratou a emoção como exagero diante da vida luxuosa do atleta.
Os colegas de “Os Donos da Bola” também comentaram o caso, alguns concordando, outros tentando equilibrar o debate. Mas, quando Neto entra no modo britadeira, equilíbrio vira decoração de estúdio. O homem não debate Neymar; ele atravessa Neymar com microfone, estatística e indignação de padaria.
A questão é que o tema gruda porque Neymar nunca é só Neymar. É futebol, fama, luxo, lesão, família, torcida, Seleção Brasileira, rede social e ressentimento nacional embalado em chuteira cara. Se joga pouco, cobram. Se chora, ironizam. Se compra relógio, vira prova de que não pode sofrer. Se não chora, dizem que não liga. É o pacote completo da celebridade brasileira mais vigiada do país.

Agora, vamos combinar uma coisa aqui entre a tinta e o tonalizante: chorar no vestiário não impede ninguém de ser rico, e ser rico também não impede ninguém de chorar. Mas comprar um relógio de US$ 1 milhão na mesma semana em que a narrativa pública é de fragilidade emocional dá para a turma do deboche um prato tão cheio que nem precisa de garçom.
Neto só fez o que Neto faz: pegou a contradição aparente, botou no megafone e serviu quente. E Neymar, que já vive com a internet na nuca, ganhou mais um capítulo nessa novela em que até lágrima precisa passar pelo setor de patrimônio.