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Kátia Flávia
Kátia Flávia

O escândalo de abuso, estupro e tortura que fez o príncipe Harry sair de ONG africana

Duque de Sussex saiu do conselho da African Parks após a entidade reconhecer abusos cometidos por alguns guardas em áreas protegidas

Kátia Flávia

25/08/2026 8h39

Príncipe Harry deixou o conselho da African Parks após uma década ligado à organização

Príncipe Harry deixou o conselho da African Parks após uma década ligado à organização

O príncipe Harry deixou o conselho da African Parks, organização de conservação que admitiu violações de direitos humanos cometidas por alguns de seus guardas em áreas protegidas na África. A entidade abriu uma investigação após denúncias de estupro, agressões e tortura contra indígenas.

Eu já estava no carro, descendo o Cosme Velho para o pilates em Laranjeiras, quando li a notícia e guardei o celular. Essa não é uma daquelas saídas discretas de conselho que se explicam com “novos projetos”. Harry ficou dez anos ligado à ONG e sua despedida acontece com uma sombra pesadíssima sobre a instituição.

African Parks reconheceu violações de direitos humanos cometidas por alguns guardas
African Parks reconheceu violações de direitos humanos cometidas por alguns guardas

O duque entrou na African Parks em 2016, presidiu a entidade por seis anos e passou a integrar o conselho em 2023. A organização anunciou sua saída ao apresentar novos conselheiros e agradeceu o período de atuação dele.

Mas o pano de fundo é gravíssimo. Em maio de 2025, a African Parks reconheceu que abusos aconteceram em alguns casos, pediu desculpas às vítimas e admitiu falhas em seus sistemas de controle. A promessa foi de investigar os envolvidos e adotar medidas quando houvesse provas suficientes.

Eu parei o carro numa papelaria em Laranjeiras para comprar o caderno novo e fiquei um minuto sem descer. Porque não basta uma organização usar palavras bonitas como “conservação” e “proteção ambiental” se quem vive no território é tratado com violência. A causa não fica acima das pessoas.

Organização afirmou ter adotado medidas após denúncias de abusos contra indígenas em áreas protegidas
Organização afirmou ter adotado medidas após denúncias de abusos contra indígenas em áreas protegidas

Um porta-voz afirmou que Harry tem orgulho de sua década de trabalho na African Parks e segue apoiando a missão da organização. A saída, porém, não veio acompanhada de uma explicação pública detalhada sobre o escândalo ou sobre qual foi o papel dele nas medidas adotadas depois das denúncias.

E é aí que o caso fica incômodo. Quando uma instituição reconhece estupro, agressão e tortura sob sua estrutura, não há comunicado elegante que encerre a conversa. Harry pode ter deixado o conselho, mas a pergunta que sobra é quem sabia, quem falhou e por que as vítimas precisaram esperar tanto para serem ouvidas.

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