Menu
Kátia Flávia
Kátia Flávia

O colar de R$ 2 milhões que fez Neymar ser citado em investigação sobre ouro roubado; entenda

Presente dado por Buzeira em 2023 chamou atenção da Polícia Civil e ajudou a abrir apuração sobre uma rede de receptação em São Paulo

Kátia Flávia

25/08/2026 8h24

Neymar recebeu de Buzeira um colar avaliado em cerca de R$ 2 milhões

Neymar recebeu de Buzeira um colar avaliado em cerca de R$ 2 milhões

Neymar apareceu no noticiário policial por causa de um colar de ouro avaliado em cerca de R$ 2 milhões, presente que recebeu do influenciador Buzeira durante um cruzeiro em 2023. A joia chamou a atenção da Polícia Civil de São Paulo e ajudou a dar origem à investigação que agora mira uma rede suspeita de roubar, receptar, derreter e revender ouro. Neymar não é investigado nem apontado como suspeito.

Eu acordei com o Cosme Velho a 19 graus, céu fechado e aquela vontade de continuar escondida no edredom. Mas botei água para o chá, peguei o celular e dei de cara com “Neymar citado em investigação”. Quase derrubei a caneca antes da primeira goleada do dia, porque uma coisa é o homem ser notícia por festa, poker ou futebol. Outra é aparecer no caminho de uma operação chamada Ouro Reverso.

Jogador foi citado na apuração apenas como destinatário do presente e não é investigado
Jogador foi citado na apuração apenas como destinatário do presente e não é investigado

O detalhe é que o jogador entrou na história como destinatário do presente, não como alvo. O colar de pedras preciosas teria sido dado por Buzeira e levantou dúvidas sobre a origem da peça, levando os investigadores a olhar para o circuito de compra e venda de ouro em São Paulo.

A investigação avançou e chegou a um esquema que, segundo a polícia, recebia joias roubadas e furtadas, derretia o ouro para apagar rastros e recolocava o metal no mercado. A segunda fase da Operação Ouro Reverso cumpriu mandados na capital e em Guarulhos, além de obter o bloqueio de cerca de R$ 34,6 milhões em contas ligadas aos investigados.

Eu fui para a varanda com a caneca nas duas mãos, olhando a chuva ameaçar cair e tentando processar o nível da coisa. Um colar de R$ 2 milhões não é presente, meu amor. É praticamente um boletim de ocorrência com fecho de ouro. E, quando ele aparece nas redes de um craque, a polícia naturalmente quer saber quem fez, de onde veio e por quais mãos passou.

Entre os pontos investigados está o chamado “Círculo de Fogo”, no centro de São Paulo, onde empresas seriam usadas para comprar peças de origem criminosa e fundir o material. A suspeita é que esse processo dificultava o reconhecimento das joias pelas vítimas e escondia a origem ilegal do ouro.

 Operação Ouro Reverso mira rede suspeita de receptar e derreter joias roubadas em São Paulo
Operação Ouro Reverso mira rede suspeita de receptar e derreter joias roubadas em São Paulo

A primeira fase da operação já havia levado à apreensão de ouro, joias e dinheiro, além da prisão de um homem apontado como negociador de itens roubados. As autoridades agora buscam identificar outros envolvidos e interromper o fluxo do metal pelo esquema.

Voltei para a cozinha, desliguei a chaleira e pensei na sequência surreal: Buzeira dá um colar milionário para Neymar em alto-mar, a peça chama a atenção, a polícia abre um inquérito e, anos depois, surge uma operação contra uma rede de ouro roubado. Neymar não está na mira, mas o presente mais caro da festa virou fio condutor de uma investigação gigantesca.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado