Gente, eu ainda estou de boca aberta com essa história. Sinceramente, não consigo entender como uma declaração de preferência política foi parar no meio da programação de Réveillon de duas capitais brasileiras. Jorge & Mateus tiveram apresentações canceladas em Recife e Fortaleza, mas Salvador acaba de anunciar a dupla para a noite de 31 de dezembro. E eu aqui, no Cosme Velho, tentando entender em que momento a escolha de um candidato virou assunto para decidir quem sobe ou não num palco.
Tudo começou depois que Jorge participou de um encontro de sertanejos em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, em Nerópolis, Goiás, e declarou: “Pode chorar, mas eu não voto no PT.” A frase provocou críticas e pedidos de boicote. Na terça-feira (3), Recife e Fortaleza anunciaram os cancelamentos. Agora, uma coisa precisa ficar clara: discordar politicamente de um artista é absolutamente legítimo. Outra discussão, bem diferente, é saber quais critérios devem orientar a contratação ou o cancelamento de uma apresentação pública.
Eis que Salvador entrou na história. Nesta quarta-feira (4), Jorge & Mateus foram confirmados no Festival Virada Salvador 2027. A dupla cantará na noite de 31 de dezembro, na Arena O Canto da Cidade, na Boca do Rio, ao lado de Ivete Sangalo, Bell Marques, Parangolé e Dennis DJ. Enquanto Recife e Fortaleza retiraram os sertanejos de suas programações, a capital baiana manteve espaço para os artistas em sua festa de fim de ano.
Jorge também se pronunciou. Negou ter feito comentários ofensivos sobre o Nordeste e afirmou que jamais trataria daquela maneira uma região pela qual tem carinho, admiração e respeito. Esclareceu ainda que sua posição política é pessoal e não representa Mateus. Esse detalhe, aliás, merece atenção. Estamos falando de dois artistas, mas a controvérsia nasceu de uma manifestação individual de um deles.
Eu continuo achando essa história toda de um desgaste desnecessário. Não é preciso concordar com Jorge, votar no mesmo candidato ou gostar de sertanejo para reconhecer que liberdade de expressão e decisões sobre contratos públicos são assuntos que merecem ser discutidos com seriedade. As prefeituras têm responsabilidades sobre suas programações, assim como os artistas respondem publicamente pelo que dizem. O que não dá é transformar uma discussão complexa numa disputa de torcida.
No fim, Jorge & Mateus continuam com uma apresentação marcada para a virada do ano, agora em Salvador. Recife e Fortaleza seguem com suas decisões, e a polêmica permanece. Eu só espero que, quando chegar 31 de dezembro, a música consiga ocupar mais espaço do que essa briga. Porque uma coisa é escolher em quem votar. Outra é exigir que todo mundo no palco pense exatamente como você.