Mônica Waldvogel reagiu ao vivo, na GloboNews, às insinuações de que jornalistas receberiam “Pix” para opinar na televisão. A apresentadora comentou o tema durante debate sobre a investigação da Polícia Federal envolvendo influenciadores supostamente pagos para publicar conteúdos favoráveis ao Banco Master.
Eu ainda estava na cozinha, tentando transformar o domingo numa coisa minimamente digna, quando o celular trouxe Mônica falando de “não caiu o Pix”. Larguei a faca de cortar melancia na tábua e pensei: pronto, o café da manhã acabou de virar audiência pública da fofoca financeira. Porque quando jornalista precisa explicar que análise não é publipost, é sinal de que a internet derrubou a parede entre redação e feira livre.
“Eu costumo ser muito ofendida nas redes sociais, do tipo: ‘Ih, olha, não caiu o Pix’”, disse Mônica, ao comentar o clima de suspeita criado por ataques nas plataformas digitais. A frase virou um bordão usado contra jornalistas, como se qualquer opinião crítica tivesse boleto escondido por trás.

A apresentadora criticou a lógica dessas insinuações. Segundo ela, os ataques partem da ideia de que aquilo que jornalistas analisam, informam e apuram poderia ser motivado por pagamentos. É aí que o negócio fica venenoso: o alvo não é só a pessoa na bancada, é a credibilidade do jornalismo inteiro.
O pano de fundo é a investigação sobre o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a Polícia Federal, influenciadores digitais estão na mira por supostamente terem sido contratados para publicar conteúdos elogiosos à instituição e a seus interesses. Mônica não é alvo da investigação, mas usou o caso para falar do estrago que publicidade camuflada faz no debate público.
E vamos combinar: tem gente que passa o dia fazendo publi sem avisar direito, vende opinião como se fosse iluminação divina e depois sobra para jornalista explicar que reportagem tem apuração, editoria, responsabilidade jurídica e método. É como se todo mundo tivesse virado comentarista de stories, só que uns respondem processo, checam informação e assinam o que dizem.

Mônica também citou solidariedade a Malu Gaspar, colunista de O Globo, e Consuelo Dieguez, da revista Piauí, que publicaram reportagens sobre o Banco Master e passaram a ser alvo de pressão nas redes. O recado foi claro: quando a apuração encosta em dinheiro grande, a reação costuma vir com barulho, ataque pessoal e tentativa de descredibilizar quem contou a história.
Eu adoro uma treta de bastidor, mas essa aqui tem camada séria embaixo do babado. Porque uma coisa é o influenciador fazer dancinha com produto e colocar “publi” escondido em fonte tamanho formiga. Outra é tentar jogar todo mundo no mesmo saco e dizer que jornalista também só fala quando o Pix cai. Aí, meu amor, a fofoca vira método de destruição.
Mônica fez o que precisava fazer: puxou a discussão para o lugar certo. O problema não é crítica a jornalista, porque jornalista tem que ser cobrado mesmo. O problema é transformar cobrança em teoria de pagamento sem prova, enquanto a própria investigação mostra que a confusão entre influência, propaganda e informação virou um terreno fértil para negócio nebuloso.
Domingo mal começou e eu já estava diante de uma aula prática: quando o Pix vira acusação genérica, quem ganha é quem quer que ninguém acredite em mais nada. E quando ninguém acredita em mais nada, quem tem dinheiro para comprar narrativa costuma sair rindo primeiro.