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Kátia Flávia
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Mulher morre após colonoscopia e Prefeitura abre sindicância

Mariana dos Santos Candido, de 41 anos, teve o intestino perfurado durante a primeira colonoscopia da vida e morreu no dia seguinte, num hospital municipal da zona leste de São Paulo. O serviço de endoscopia da unidade é feito por uma empresa terceirizada há cerca de 25 anos, e a Secretaria não informou qual protocolo foi aplicado nem quem estava de plantão.

Kátia Flávia

31/07/2026 9h00

Prefeitura de São Paulo abriu sindicância após a morte de Mariana dos Santos Cândido, de 41 anos, que sofreu perfuração intestinal durante uma colonoscopia.

Prefeitura de São Paulo abriu sindicância após a morte de Mariana dos Santos Cândido, de 41 anos, que sofreu perfuração intestinal durante uma colonoscopia.

Eu estava no Museu d’Art Contemporani d’Eivissa, tentando entender uma instalação que ninguém entendeu, quando abri o celular e larguei a arte de lado. Mariana dos Santos Cândido, 41 anos, fez a primeira colonoscopia da vida na terça, dia 28, no Hospital Municipal Doutor Alípio Corrêa Netto, em Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo. Teve o intestino perfurado, passou por cirurgia de emergência e morreu na tarde de quarta, dia 29.

Um dia antes, ela ligou para a tia, a professora Mara Aparecida, só para dizer “tia, eu te amo”. Contou que faria o exame na manhã seguinte e que estava com medo. Foi a última conversa das duas. À Folha, a tia disse que a sobrinha chegou ao hospital empolgada e sorrindo, confiante, e que a mãe de Mariana a acompanhou no procedimento agendado pelo centro de saúde do bairro.

O que aconteceu depois está descrito em documento do próprio hospital. A guia de encaminhamento de cadáver registra laceração da parede mucosa do intestino. Ela foi submetida a uma laparotomia de urgência com colectomia segmentar, retirada de parte do intestino grosso, num procedimento de seis horas. Na UTI, apresentou dores elevadas, queda grave da pressão arterial e sangramento. Saiu da cirurgia já em ventilação mecânica e recebendo adrenalina. Segundo a tia, a equipe médica informou à família que cerca de metade do intestino foi lacerado.

Agora a parte institucional. A Secretaria Municipal de Saúde instaurou sindicância interna junto com a Clínica de Endoscopia Salinas, empresa responsável pelo exame, que presta serviço no hospital há cerca de 25 anos, e afirmou lamentar profundamente a morte, prometendo apuração rigorosa sobre a conduta médica. Perguntada, a pasta não informou o protocolo aplicado durante o exame nem deu detalhes sobre a equipe de plantão naquela noite. A Secretaria de Segurança Pública registrou o caso como morte suspeita no 62º DP, com exames periciais e IML requisitados.

A família tem a própria versão dos minutos seguintes. A tia afirma que a irmã entrou em choque ao saber da morte, que servidores pediram apenas que saíssem, e que disseram que nenhum documento seria liberado antes de 30 dias. Antes disso, durante a cirurgia, teriam orientado a família a rezar. Mariana deixou três filhos, de 9, 15 e 20 anos, e tinha acabado de começar em um novo emprego como agente de apoio escolar. O sepultamento ficou marcado para a manhã desta sexta, no Cemitério da Vila Formosa.

Um dado que precisa estar no texto, por respeito a quem vai ler e ficar com medo. Mariana fez o exame como prevenção, por causa de histórico de câncer colorretal na família. A colonoscopia continua sendo o principal exame para avaliar o intestino grosso e detectar câncer cedo, e continua sendo recomendada. A pergunta aberta não é sobre o exame. É sobre o que aconteceu naquela sala, e a resposta depende de uma sindicância, de uma perícia e de um laudo que a família ainda não tem na mão.

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