O ator Edward Boggiss morreu aos 49 anos nesta quarta-feira (8), segundo informações divulgadas por amigos próximos. A causa da morte não foi informada. Com carreira na atuação e na direção, ele integrou o elenco de produções da TV Globo como Sandy & Junior, Malhação, Esplendor, Começar de Novo, Um Só Coração e O Profeta.
Eu estava em casa, tentando escolher a cor da unha com a seriedade de quem decide pauta de governo, quando a notícia chegou no celular e cortou o barulho da lixa. A manicure ainda segurava o esmalte aberto, eu fiquei olhando para a tela e aquele nome me levou direto para uma televisão de fim dos anos 90, começo dos 2000, quando a Globo fazia a gente decorar rosto de ator antes mesmo de saber o nome completo. Edward Boggiss era um desses rostos.
O corpo do artista é velado nesta quinta-feira (9), no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, na Zona Portuária do Rio de Janeiro. A cerimônia de cremação está prevista para as 14h. Edward deixa esposa e uma filha.

Na TV Globo, um de seus trabalhos mais lembrados foi Tony, na série Sandy & Junior, em 1999. A produção marcou uma geração que chegava da escola, ligava a televisão e achava normal misturar música, romance adolescente e participação especial como se aquilo fosse parte do calendário nacional. Edward estava nesse imaginário, mesmo para quem não sabia apontar de primeira em qual episódio.
Ele também passou por Malhação, essa grande universidade sentimental do ator brasileiro, onde metade do país descobriu elenco novo, corte de cabelo novo e drama escolar que parecia questão de Estado. Em Esplendor, interpretou Otávio Guerreiro. Já em Começar de Novo, em 2004, viveu a versão jovem de Anselmo. Ainda integrou a minissérie Um Só Coração e, em O Profeta, deu vida ao personagem Pelópidas.
Eu sempre acho injusto quando a notícia de morte resume uma carreira em três títulos, porque ator de televisão entra na casa dos outros de um jeito muito particular. Às vezes a pessoa não foi protagonista absoluta, não estampou tudo, não virou manchete toda semana, mas estava ali, fazendo parte da memória afetiva de quem acompanhava novela, série, reprise, chamada de programação. O trabalho vai ficando no fundo da lembrança, quieto, até uma notícia dessas puxar tudo de volta.
Além da televisão, Edward também atuou no cinema, em trabalhos como Canta Maria, e passou pela série Sob Nova Direção. A carreira dele transitava por esse espaço de ator versátil, daqueles que aparecem em diferentes formatos e ajudam a compor o tecido da dramaturgia brasileira. Não é pouca coisa. A televisão é feita de estrelas, claro, mas também de presenças que sustentam cenas, épocas e memórias.

Na sala, a manicure comentou que lembrava dele de Malhação. Eu lembrava de Sandy & Junior. E foi aí que a ficha bateu de um jeito curioso: cada pessoa guarda um ator por uma porta diferente. Para uns, Edward era Tony. Para outros, um rosto de novela das seis, de minissérie histórica, de personagem que surgiu em uma fase específica da vida. A morte dele junta essas lembranças soltas e transforma tudo em despedida.
As primeiras homenagens vieram de amigos e colegas, que confirmaram a perda e lamentaram a partida precoce. Aos 49 anos, Edward morre deixando uma trajetória ligada a produções que atravessaram a cultura popular brasileira. É uma daquelas notícias que não chegam gritando, mas ficam ecoando, porque lembram que uma geração inteira de televisão também está envelhecendo, se despedindo e levando pedaços da nossa memória junto.
Eu fechei o celular por alguns segundos antes de voltar para o esmalte, porque tem notícia que pede pausa. Não precisa espetáculo, não precisa exagero. Só respeito. Edward Boggiss fez parte da história da televisão brasileira em papéis que muita gente viu crescer, amar, sofrer e passar de fase. E isso, no fim, é permanência.