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Kátia Flávia
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Mônica Carvalho leva câncer terminal às telas e faz Trancoso chorar de pé

Com Cat Dantas, Daniela Albuquerque e Humberto Martins, “Deixe-Me Viver” emociona na pré-estreia e chega aos cinemas em 12 de novembro.

Kátia Flávia

03/11/2026 13h30

Mônica Carvalho protagoniza Deixe-Me Viver, drama sobre maternidade e câncer terminal que estreia nos cinemas em 12 de novembro.

Mônica Carvalho protagoniza Deixe-Me Viver, drama sobre maternidade e câncer terminal que estreia nos cinemas em 12 de novembro.

Minha gente, eu estava aqui no Cosme Velho, escolhendo a roupa para ir ao cabeleireiro, porque hoje tem hidratação, tintura e uma verdadeira reforma capilar, quando me deparei com a história de Deixe-Me Viver. Parei com a escova na mão. Mônica Carvalho resolveu levar para o cinema uma daquelas histórias que fazem a gente questionar a própria vida. E o assunto é daqueles que deixam até a mais falante das peruas em silêncio: uma mãe descobre que a filha tem câncer terminal e precisa enfrentar a possibilidade de perdê-la. O filme ainda nem estreou comercialmente e já provocou uma cena e tanto em Trancoso: plateia de pé, aplausos e muita emoção.

A pré-estreia nacional aconteceu no último sábado, 31 de outubro, no Quadrado de Trancoso, na Bahia. Mônica Carvalho, Humberto Martins, Cat Dantas, Daniela Albuquerque, Oscar Magrini, Luciana Vendramini, Eduardo Silva, Michele Muniz e Fernanda Arraes estiveram entre os presentes. O longa, dirigido por Walther Neto, chega aos cinemas brasileiros em 12 de novembro. E eu já estou vendo que essa sessão vai exigir mais do que pipoca. Vai exigir estrutura emocional.

O que me chamou atenção foi a coragem de Mônica Carvalho de colocar uma questão tão dolorosa no centro da narrativa. Ela interpreta Andrea, uma mulher dedicada à carreira que recebe o diagnóstico de câncer terminal da filha Julia, vivida por Cat Dantas. Diante da notícia, Andrea precisa rever suas prioridades. As duas partem para Trancoso e tentam transformar o tempo que ainda possuem em uma experiência de amor e reconexão. É o tipo de enredo que incomoda porque mexe com uma pergunta que quase ninguém gosta de responder: quanto da nossa vida estamos realmente vivendo?

E Mônica não ficou apenas diante das câmeras, minhas senhoras. A atriz também assina o roteiro, ao lado de Michele Muniz e Marcelo Corrêa, e participa da produção executiva. Ou seja, colocou a própria assinatura artística em uma história sobre maternidade, ausência e escolhas. Na apresentação do filme, ela reconheceu que muitas vezes acreditava estar dando atenção às filhas quando, na realidade, estava trabalhando. A reflexão é poderosa justamente porque não tenta transformar a maternidade em um comercial de margarina.

Agora, prestem atenção nesse elenco. Humberto Martins interpreta Albert, Daniela Albuquerque vive Nina, Oscar Magrini assume Marcelo e Luciana Vendramini dá vida a Cecília. Michele Muniz interpreta Cida, enquanto Fernanda Arraes aparece como Eleonora. É uma reunião de nomes conhecidos da televisão brasileira em uma produção que aposta no drama familiar. E Cat Dantas, como Julia, ocupa um dos papéis centrais dessa história. Quero observar especialmente como essa relação entre mãe e filha será construída na tela.

Outro detalhe interessante está na escolha de Trancoso. O destino baiano, frequentemente associado ao turismo de luxo, às festas e à temporada de celebridades, aparece aqui como cenário de uma história sobre a fragilidade da existência. Humberto Martins afirmou durante a pré-estreia que boa parte da trama acontece na região. Para mim, existe uma decisão de posicionamento bastante interessante nessa escolha: utilizar um lugar reconhecido por sua beleza para contar uma história em que o tempo se torna o bem mais precioso.

E já que estamos falando de cinema como negócio, há uma movimentação que merece atenção. Antes da estreia comercial brasileira, Deixe-Me Viver teve participações internacionais no Marché du Film, em Cannes, e no Inffinito Brazilian Film Festival, em Miami. A produção reúne Yva Filmes, WN Produções e PRH-9 Produções, com patrocínios e apoios públicos e privados. Minha leitura é que o projeto procura combinar reconhecimento artístico, circulação internacional e uma narrativa capaz de dialogar com diferentes públicos. O resultado nas bilheterias, evidentemente, ainda está por vir.

O grande desafio começa agora. Uma plateia emocionada durante uma pré-estreia é um sinal positivo de recepção, mas o teste comercial acontece quando o filme encontra o público pagante. A partir de 12 de novembro, será possível observar se a repercussão da sessão em Trancoso se transforma em interesse nacional. Histórias sobre maternidade, doença e despedida exigem sensibilidade. Quando bem conduzidas, permanecem na memória muito depois dos créditos finais.

E eu? Continuo aqui, atrasada para o cabeleireiro, pensando nessa história. Porque a gente passa a vida marcando reunião, respondendo mensagem, correndo atrás de dinheiro e adiando aquele almoço com quem ama. Aí aparece um filme com uma pergunta inconveniente: e se o amanhã não chegar? Mônica Carvalho escolheu levar essa provocação para o cinema. Eu vou levar a pergunta comigo para o salão. Afinal, cabelo branco a gente resolve com tintura. Tempo perdido, minhas caras, não tem profissional no Leblon que consiga recuperar.

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