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Kátia Flávia
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Mister Sam morre aos 80 anos: o homem que inventou a Gretchen foi embora

Produtor argentino que moldou o pop dançante brasileiro nos anos 70 morre de infarto fulminante

Kátia Flávia

14/04/2026 8h15

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Estava eu saindo de um museu em Nápoles hoje cedo, ainda com a cabeça cheia de arte barroca, quando o telefone tocou com uma notícia que parou tudo. Deixei o guia falando sozinho no corredor e fui ler com atenção, porque esse nome merece atenção de verdade.

Mister Sam morreu na segunda-feira, dia 13, aos 80 anos, vítima de um infarto agudo do miocárdio. O nome de registro era Santiago Juan Carlos Manalti, nascido em Buenos Aires em março de 1946, mas o Brasil o conheceu como o produtor que chegou ao país em 1973 e reconfigurou o que a música dançante podia ser por aqui.

Foi ele quem lançou Gretchen em 1978, compondo e produzindo os títulos que construíram a identidade da cantora: Fricote, Conga Conga, Melô do Piripipi. Trabalhou ainda com Rita Cadillac, Nahim e Gugu Liberato, e passou pela Copacabana Discos num período em que o pop brasileiro precisava de alguém que soubesse o que as pistas queriam antes das pistas saberem.

A notícia foi dada por Gretchen nas redes sociais, porque a família não tinha condições de falar naquele momento. Ela assumiu esse papel com dignidade, confirmou o infarto fulminante e prestou homenagem pública ao homem que a lançou. Os comentários nas publicações foram tomados por fãs das décadas de 70 e 80, muita gente lembrando exatamente onde estava na primeira vez que ouviu aquelas músicas.

O alcance do luto digital mostrou que Mister Sam tinha uma geração inteira guardada na memória afetiva, mesmo que o grande público não soubesse o nome de quem estava por trás daquele som.

Mister Sam era um desses profissionais que constroem o alicerce sem aparecer na foto de capa. A trajetória dele no Brasil coincidiu com um momento de abertura do mercado fonográfico para a música dançante, e ele entendeu antes de muita gente que televisão, pista e consumo popular podiam falar a mesma língua. Sem ele à frente do projeto de Gretchen em 1978, talvez a Gretchen que conhecemos hoje não existisse, porque havia uma decisão estética e comercial precisa naquele lançamento que não acontece por acaso.

Mister Sam se foi, e a Gretchen foi quem teve a coragem de dar a notícia ao Brasil, protegendo a família num momento impossível. Isso diz muito sobre os dois, e sobre o que aquela parceria construída décadas atrás ainda significava ontem.

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