Eu estava descendo a escadaria do Museu d’Art Contemporani d’Eivissa, 31 graus batendo na cabeça, quando o telefone tocou. Fonte do próprio concurso, direto de São Paulo, falando alto para vencer o barulho da Paulista. Vocês não fazem ideia do tamanho da confusão que fecharam ali na quinta. Vinte e sete mulheres correndo na avenida mais fotografada do país, de maiô e tênis, para abrir oficialmente o Miss Bumbum Brasil 2026.
A corrida serve de largada da votação popular, que já está no ar no site do concurso. São 27 candidatas, uma para cada estado e mais o Distrito Federal. Até aí, o de sempre. A novidade veio depois, e demorei uns segundos para acreditar.
Todas as 27 vão para a final de outubro, em São Paulo. Todas. Antes, o concurso peneirava: as quinze mais votadas subiam no palco e o resto ia para casa com a foto da Paulista e um contrato de nada. Cacau Oliver, jornalista que criou isso em 2011, diz que quer que cada uma conte a própria história até o fim. Tradução prática: mais gente mobilizando seguidor durante três meses.

Agora o que ninguém falou comigo por telefone e eu fui atrás. Em julho, a organização anunciou um encontro de sósias na corrida, mulheres parecidas com Virginia Fonseca e Kim Kardashian, com faixa e tudo. Sumiu do comunicado desta semana. E tem a briga de números: o material de julho dizia 15ª edição, o desta semana diz 14ª. Alguém aí não sabe contar a própria história.

A regra de ouro continua valendo, e é ela que segura a marca de pé. Nada de silicone, hidrogel, PMMA ou qualquer substância ilegal no glúteo, com contrato assinado pela candidata declarando que é tudo dela mesma. Sobre o prêmio, o próprio site do concurso já vendeu, em edição anterior, contrato publicitário e parceria com a Privacy, plataforma de conteúdo adulto.
E tem o argumento de venda: o concurso lembra sempre Andressa Urach, Raissa Barbosa e Carol Lekker para provar que abre portas. Três nomes. Quatorze anos. Eu deixo a conta na mesa e vou tomar um banho de mar.