Miguel Falabella decidiu abrir um pouco mais a porta da própria vida, mas explicou por que passou décadas mantendo filhos, relacionamentos e intimidade longe do público. Aos 69 anos, o ator disse que escolheu blindar a família da exposição e evitar rótulos que poderiam reduzir sua trajetória.
Eu já tinha chegado à livraria em Botafogo e estava procurando um presente de aniversário entre as mesas de fotografia quando li a fala dele. Parei com um livro nas mãos. Porque Miguel Falabella construiu uma carreira inteira diante do Brasil, mas resolveu que fama era dele, não dos filhos. E isso parece simples até você lembrar que o país acha que todo artista deve entregar até a senha do Wi-Fi.

Falabella revelou no ano passado que é pai de Theo e Cassiano, filhos biológicos de uma amiga. No Roda Viva, explicou: “Nunca expus porque achava que eu era uma pessoa pública, e não eles”. Ele também contou que já é avô.
A discrição valeu para os relacionamentos. Ao comentar a repercussão da foto que publicou com o criador de conteúdo Alexandre Altoé, seu companheiro, Falabella demonstrou surpresa: “Agora botei uma foto do Alexandre no Instagram e foi um desespero. O que é isso, gente? Que desespero é esse?”.
Eu fechei o livro e fui até a seção de biografias, porque essa frase diz muito. Para uma parte do público, a foto não era apenas um registro amoroso. Era uma novidade que parecia exigir debate, selo, explicação e uma comissão especial de curiosos. Para Miguel, era só o namorado aparecendo no Instagram.
O ator disse que se protegeu para não ficar preso a uma “prateleira”. “Depois que te colocam, não sai mais. Nunca quis ter rótulos. Me blindei mesmo”, afirmou. E lembrou que viveu num período em que o preconceito poderia ter limitado profundamente sua carreira.
Falabella também falou das mentiras que já circularam sobre ele, incluindo boatos de que teria HIV e até uma falsa notícia de morte. Uma internação recente por pneumonia silenciosa o fez rever prioridades e decidir escrever um livro de memórias, já batizado de Eu as tive em meus braços, sobre mulheres marcantes em sua vida.

Eu achei o presente que procurava, levei para o caixa e fiquei pensando que talvez a maior revelação não seja a existência dos filhos ou do namorado. É o fato de Miguel ter conseguido preservar tanta coisa num país em que a curiosidade alheia costuma querer morar dentro da casa dos outros.