Eu estava em casa, ainda de manhã, no maior corre entre a manicure e o café, quando o celular vibrou com aquele nome que já sei que é sinônimo de furo. Dona Malu Gaspar, de O Globo. Larguei tudo na hora, porque quando dá recado sobre Brasília eu sei que a treta é grande.
Michelle Bolsonaro renunciou à presidência do PL Mulher na última terça-feira, depois de uma conversa reservada com Valdemar Costa Neto, em meio a rumores de que ela também pode desistir da pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. Em nota, a ex-primeira-dama afirmou que deixa o cargo para se dedicar integralmente à família, especialmente ao marido e à filha.

A senadora Damares Alves saiu em defesa da aliada e divulgou uma mensagem dizendo que a atitude de Michelle prova que ela tem uma causa, e não um projeto de poder, além de pedir que as mulheres do grupo permaneçam firmes para os desafios da política.
Só que a própria Damares vive a sua crise particular com a campanha de Flávio Bolsonaro. Ela está irritada com o avanço de ataques de aliados do presidenciável contra ela e Michelle nas redes, ameaça reduzir sua colaboração com o plano de governo dele e já avisou que não pretende comparecer ao encontro com lideranças femininas nesta quarta-feira, em Brasília, evento que teve o convite articulado por Daniella Marques, apontada como um dos nomes cotados para vice de Flávio.

Nas redes, a bagunça só cresceu. Damares trocou farpas publicamente com Paulo Figueiredo, que insinuou que ela teria abraçado a militância feminista em vez da pauta bolsonarista contra o STF. Ela respondeu convidando o aliado de Eduardo Bolsonaro para visitar seu gabinete caso Flávio seja eleito. Oswaldo Eustáquio também entrou na discussão, chamando Damares de uma das maiores feministas do Brasil e fazendo insinuações sobre sua vida pessoal, o que aumentou ainda mais a tensão entre os aliados.
Minha gente, quando duas mulheres do mesmo partido começam a se afastar de cargo e de evento ao mesmo tempo, o problema nunca é agenda cheia. É recado.