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Kátia Flávia
Kátia Flávia

Michelle Bolsonaro desmarca agendas e some da reta final de Flávio

Nesta quinta (22), a três dias do segundo turno, a senadora eleita segue longe dos palanques do enteado. Da reconciliação, sobrou só um vídeo de propaganda.

Kátia Flávia

22/10/2026 17h15

Michelle Bolsonaro é apontada como ausente dos palanques de Flávio Bolsonaro na reta final da disputa eleitoral.

Michelle Bolsonaro é apontada como ausente dos palanques de Flávio Bolsonaro na reta final da disputa eleitoral.

Eu já tinha dado o último abraço nas amigas portuguesas, passado o cartão de embarque no aeroporto de Lisboa e me acomodado na sala VIP com um pastel de nata de despedida quando o celular começou a vibrar sem parar. Chamada de vídeo coletiva, com metade da turma no Cosme Velho e a outra metade nos Jardins, e um assunto só na roda: Michelle Bolsonaro não vai aparecer na campanha de Flávio Bolsonaro. Larguei o pastel no pires. Faltando três dias para a votação, a senadora eleita continua sem dividir um palanque com o enteado, e todos os sinais indicam que a eleição termina assim.

Façam as contas comigo. No primeiro turno, nenhuma agenda ao lado dele, nenhuma viagem, nenhuma manifestação. O único registro da dupla é o vídeo gravado para a propaganda, aquele que marcou a reaproximação, em que os dois mal se olham na cara e ensaiam umas gracinhas visivelmente desconfortáveis. Nos últimos dias a campanha voltou a usar cortes dele. Quando veio o segundo turno, meio mundo apostou que ela finalmente pegaria a estrada, até porque está apoiando a professora Maria do Carmo no Amazonas. Não foi. E não vai.

O bastidor é melhor que a vitrine. O núcleo duro da campanha contava com Michelle em atos depois do primeiro turno, e a informação que corre é que ela chegou a confirmar presença em agendas com Flávio mais de uma vez, para desmarcar depois e simplesmente não aparecer. A justificativa oficial é que ela precisa ficar em casa cuidando de Jair Bolsonaro. E a desculpa fecha com precisão de relojoeiro: as agendas que ela topa são as de Celina Leão, ali mesmo no DF, onde dá para sair, aparecer e voltar para casa antes do jantar. Ninguém consegue acusar a mulher de incoerência de quilometragem.

Do lado de Flávio, também tem estratégia. Gente do bolsonarismo repete que a campanha nunca quis transformar Michelle em tábua de salvação nem pendurar a vitória na conta dela, e por isso foi construindo caminho próprio. O problema é que a esquerda passou a eleição martelando a rejeição de Flávio entre as mulheres, e Michelle seria a vacina mais óbvia para isso. Sem ela, ele apostou em outros acenos ao eleitorado feminino: a esposa, Fernanda Bolsonaro, os discursos em que fala da mãe e da avó, e Daniella Marques como peça central da campanha, cotada inclusive para um ministério da área econômica caso ele vença.

Tanta coisa aconteceu nessa eleição que a gente quase esquece como ela começou: com Michelle publicando um vídeo longuíssimo para os padrões da internet, expondo o enteado e deixando claro o quanto estava insatisfeita com a postura dele em relação a ela. Lavação de roupa suja em praça pública, com plateia nacional. Depois veio o ajuste de rota, ela mais contida, os vídeos dizendo que perdoava Flávio e, por fim, a tal inserção na propaganda. Pararam por aí.

Ainda tem sábado no calendário, e em família Bolsonaro surpresa de última hora nunca é impossível. Chamaram meu voo, desliguei a chamada com as meninas ainda falando todas ao mesmo tempo e saí da sala VIP com uma certeza na bagagem de mão: essa foto dos dois juntos no palanque eu não chego a tempo de ver, porque ela não vai existir.

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