Amores, a Michele Barbosa resolveu parar de esconder. A jornalista, atriz e influenciadora, que passou por Os Donos da Bola, Melhor da Tarde com Catia Fonseca, Melhor da Noite e Bora Brasil, contou que convive com alopecia desde criança. Isso mesmo. Por trás do sorriso e das piadas que viraram a marca dela para mais de 320 mil seguidores, existia uma queda de fios que começou na infância e foi deixando o cabelo cada vez mais ralo em algumas regiões na vida adulta.
E o caminho até o consultório foi longo. Michele mudou o penteado, mudou o risco, tentou dar volume, fez de tudo para normalizar. Com o humor de sempre, ela resumiu a peregrinação: “Tentei de tudo: oração, espada de São Jorge, mistura de babosa com lágrimas”. Para quem trabalha com vídeo praticamente todo dia, o incômodo não chegou a impedir o trabalho, mas mexia com a forma como ela se via no espelho e na câmera.

Eu li isso tudo já de bolsa no ombro, saindo para almoçar com as minhas amigas aqui em Sintra. Enquanto o Brasil está no café da manhã, aqui o relógio já bateu na hora do almoço, e eu estou a fim de uma massa daquelas. Mas parei na porta, porque essa história merece atenção antes do garfo.
A virada veio com a mesoterapia capilar, feita numa unidade da clínica novofio em Perdizes, em São Paulo. O tratamento não é cirúrgico. Consiste em aplicar um coquetel de vitaminas, aminoácidos, nutrientes e bioestimuladores direto no couro cabeludo, perto dos folículos, para agir onde o fio nasce. As sessões são rápidas e a paciente volta para a rotina no mesmo dia. Segundo a própria Michele, na segunda sessão ela já percebeu a queda diminuir drasticamente.
Agora vem o detalhe que eu, jornalista antes de fofoqueira, não deixo passar. Quem explica a técnica é a médica tricologista Samára Muniz, que é responsável técnica e proprietária da novofio Sorocaba, ou seja, da mesma rede que atende Michele. E ela mesma põe o pé no freio da euforia: antes de qualquer tratamento, o médico precisa descobrir a causa da queda, os resultados são progressivos e as mudanças em crescimento, espessura e densidade dos fios demoram mais, porque dependem do ciclo natural do cabelo.
A médica também lembra que, na alopecia androgenética, os folículos vão encolhendo com o tempo e produzindo fios cada vez mais finos e curtos. Em estágio avançado, a recuperação pode ficar limitada. Por isso o diagnóstico cedo faz diferença. E até quem parte para o transplante capilar continua precisando cuidar dos fios que já tem e tratar o que causou a queda.

O que pesa mesmo nessa história é o tabu. Homem calvo virou quase paisagem, enquanto mulher com falha no cabelo ainda se esconde atrás de penteado, extensão e foto retocada. Michele decidiu falar justamente para quebrar esse silêncio. A espada de São Jorge pode voltar para o vaso. Eu vou para a minha massa