Menu
Kátia Flávia
Kátia Flávia

Mãe e irmão de Oruam são presos em operação da PF contra “internet do tráfico” no Rio

Operação Backbone mira esquema investigado por explorar o fornecimento de internet em áreas dominadas pelo Comando Vermelho

Kátia Flávia

19/10/2026 13h45

Márcia e Lucas Nepomuceno foram presos durante a Operação Backbone

Márcia e Lucas Nepomuceno foram presos durante a Operação Backbone

A Polícia Federal prendeu Márcia Gama dos Santos Nepomuceno e Lucas Santos Nepomuceno, mãe e irmão do rapper Oruam, nesta segunda-feira (19), durante a Operação Backbone, no Rio de Janeiro. Segundo a apuração divulgada pelo Estadão Conteúdo, os dois são mulher e filho de Marcinho VP, apontado pelas autoridades como uma das lideranças do Comando Vermelho.

Eu entrava no carro com as malas, deixando a Chocolatería San Ginés rumo ao Aeroporto de Barajas, quando a notícia chegou. E não dá para tratar uma operação desse tamanho como manchete de passagem: são prisões, investigação federal, moradores afetados e um esquema que, segundo a PF, teria transformado um serviço essencial em ferramenta de domínio armado.

A Operação Backbone cumpre 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal. A ação também determinou bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores, atingindo 40 pessoas físicas e 42 empresas.

Eu olhei pela janela do carro e pensei no tamanho da perversidade que é controlar internet em comunidade. Não estamos falando de luxo, minhas filhas. É trabalho, estudo, contato com família, acesso a serviço público e uma vida inteira que passa pela tela hoje em dia.

De acordo com a investigação, pessoas armadas cortavam cabos e incendiavam caixas de distribuição de operadoras regulares e concorrentes nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. A suspeita é que moradores e comerciantes eram obrigados a contratar a chamada “internet do tráfico”.

Eu apertei a bolsa no colo porque esse detalhe é de embrulhar o estômago: quem mora no território não teria direito de escolher provedor, preço ou serviço. A investigação aponta que empresas autorizadas pelo grupo pagariam uma tarifa para operar nas áreas dominadas.

A PF afirma que registros contábeis indicam que, em apenas um mês, a cobrança ligada à internet respondeu por mais de 40% da arrecadação do grupo no Complexo da Penha. Os investigadores também apuram se valores eram ocultados por meio de empresas, produtoras de eventos, imóveis pagos em dinheiro e criptoativos.

Eu já estava perto do aeroporto quando veio o lembrete necessário: prisão não é condenação, e a investigação precisa seguir com direito de defesa e apuração rigorosa. O Estadão informou que tentava localizar os advogados dos presos; até a publicação da reportagem, não havia manifestação.

Oruam não foi apontado como alvo da ação no material divulgado. O que existe, neste momento, é uma operação de grande porte que alcança integrantes e pessoas investigadas em torno de uma estrutura que, segundo a PF, lucrava com o controle ilegal de um serviço básico no Rio.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado