Eu estava me despedindo de Sintra, pensando nas ladeiras que subi e nos travesseiros da Piriquita que comi sem a menor culpa, quando apareceu no meu celular uma notícia daquelas que fazem a gente largar até a mala aberta. A atriz carioca Luiza Horta, de 28 anos, resolveu trocar o Rio de Janeiro pela Roma Antiga. E, pelo amor dos imperadores, a menina não foi para ficar abanando leque no fundo do cenário!
Luiza integra o elenco de “Ben-Hur”, superprodução da Seriella que estreou em 9 de outubro no Univer Vídeo. Ela interpreta Flávia, uma mulher ambiciosa, de personalidade forte e absolutamente determinada a manter o poder circulando dentro da própria família. Traduzindo para quem gosta de uma boa novela: é daquelas que entram numa reunião familiar e fazem até o patriarca conferir se ainda manda em alguma coisa.

Na história, Flávia é casada com Élio, personagem de Gustavo Falcão. E casamento, minha gente, naquela Roma de disputas políticas, também é assunto de influência. A personagem defende os interesses do marido e de seus aliados, enfrenta conflitos e ainda encontra espaço para o humor. Uma combinação que eu particularmente adoro. Porque gente ambiciosa que também sabe fazer graça rende muito mais do que personagem que passa a novela inteira olhando pela janela.
“Flávia não tem medo de se impor. Ela pode ser controversa, mas também tem momentos de comicidade. Faz o que considera necessário por Roma e para manter o poder nas mãos do marido e de seus aliados”, explica a atriz.
Agora vem uma parte interessante dessa história. Luiza é filha de uma bailarina e cresceu cercada pelo universo artístico. Estudou na Escola de Atores Wolf Maya, passou pelo teatro e por produções audiovisuais independentes. O caminho até “Ben-Hur” teve um detalhe bem contemporâneo: a produtora de elenco Marina Frauches conheceu seu perfil pela plataforma Elenco Digital. Olha o contraste! Uma ferramenta digital ajudando a levar uma atriz para uma produção ambientada na Antiguidade. Roma jamais imaginaria esse algoritmo.
E a moça já está pensando além das intrigas romanas. Luiza quer conquistar espaço no cinema e interpretar personagens que exijam transformações de verdade. “Sonho com personagens que me desafiem, que me façam mudar o visual e descobrir lados meus que ainda não conheço”, afirma.
Enquanto termino de organizar minhas coisas em Sintra, fico pensando nessa Flávia. A personagem quer influência, protege alianças e não aceita ficar à sombra de ninguém. Luiza, por sua vez, está construindo o próprio caminho diante das câmeras.

E uma coisa eu digo: na Roma de “Ben-Hur”, Flávia pode até não usar a coroa. Mas já entendeu que, para mandar no império, às vezes basta saber quem está sentado ao lado do imperador.