Eu estava assistindo ao Domingão com Huck como quem não quer nada, só querendo um domingo leve, quando Luciano Huck resolveu me entregar um momento que não estava no roteiro da minha cabeça.
Do nada, no meio do programa, ele para tudo, lembra o aniversário da sogra e solta, com todas as letras, um “te amo, minha sogra”. Eu fiquei olhando para a TV tentando entender se aquilo era real, se era ensaio de comercial de margarina ou se eu estava presenciando um novo subgênero do entretenimento dominical, a declaração pública para a mãe da esposa.
O detalhe que me pegou foi o conforto. Luciano Huck falou de Angelina Ksyvicks com uma naturalidade que só quem já venceu todas as etapas do convívio familiar consegue. Nada de piadinha defensiva, nada de frase ensaiada. Foi direto, foi carinhoso, foi aquele tipo de gesto que deixa o Brasil inteiro pensando “olha, isso sim é um genro bem resolvido”.
E claro que tudo isso acontece porque existe Angélica no meio do caminho. Porque só alguém muito seguro no casamento com Angélica se sente à vontade para declarar amor à sogra em rede nacional, no horário em que o país inteiro está almoçando ou cochilando no sofá.
O momento aconteceu durante o quadro Quem Vem Para Cantar, mas a cena virou outra coisa. Virou recado, virou gesto simbólico, virou aquele tipo de detalhe que não muda o mundo, mas muda a percepção. Luciano Huck saiu do papel de apresentador e entrou no de genro exemplar, categoria rara e pouco explorada na televisão brasileira.
Eu, como boa observadora de domingo, anotei mentalmente. Porque essas pequenas cenas dizem muito mais do que discursos longos. E dizem, sobretudo, que Luciano Huck sabe muito bem onde pisa, em casa e no palco.
E confesso, meu amor, achei elegante.