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Kátia Flávia
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Lucas Gentil assume a superintendência da TV Gazeta. Qual é o seu maior desafio?

Efetivado nesta terça , o executivo vindo do SBT herda uma grade com só sete horas próprias e precisa fazer o mercado publicitário notar a emissora.

Kátia Flávia

21/10/2026 9h43

Lucas Gentil foi efetivado como superintendente geral da TV Gazeta após ocupar interinamente o cargo desde setembro.

Lucas Gentil foi efetivado como superintendente geral da TV Gazeta após ocupar interinamente o cargo desde setembro.

Amores, a cadeira agora é dele de papel passado. A Fundação Cásper Líbero efetivou Lucas Gentil como superintendente geral da TV Gazeta nesta terça (20). Ele ocupava o posto de forma interina desde o início de setembro e, antes disso, já respondia pela direção artística e de programação da casa. A promessa oficial é diversificar a grade em jornalismo, entretenimento e esporte, reforçar a ligação com São Paulo e, em 2027, juntar TV, rádio, digital e faculdade em projetos integrados. Bonito no comunicado. A pergunta é como isso vira audiência e dinheiro.

O currículo explica a aposta. Gentil passou pela supervisão artística do SBT entre 2022 e 2025 e tem no portfólio Casa dos Artistas, Ídolos, Bake Off Brasil e Júnior Bake Off. Chega o Rei do Forno da casa de Silvio Santos para comandar a emissora mais paulistana da TV aberta. É gente que sabe fazer programa popular virar conversa de almoço de domingo. E é exatamente disso que a Gazeta precisa: ser assunto.

O problema tem nome e tem relógio. Na grade lançada em março, a emissora ficou com apenas sete horas diárias de produção própria, das 13h às 20h. As outras dezessete seguem vendidas para a Igreja Universal e para o Gazeta Shopping. A parceria com a Universal existe desde 2003. Traduzindo do economês: a casa paga as contas alugando o horário, mas fica difícil vender a vitrine inteira para o anunciante quando mais de dois terços dela já têm dono.

Eu soube de tudo isso no meio de um almoço com as minhas amigas aqui em Sintra. O celular tremeu em cima da mesa e era uma amiga lá da Paulista, numa chamada de vídeo, quase na calçada da Gazeta, contando a novidade aos gritos. Larguei o garfo, pedi licença às meninas e fui conferir cada detalhe antes de a sobremesa chegar.

E o detalhe que muda a leitura é este: Gentil promete continuar a transformação iniciada no último ano, que segundo ele trouxe “resultados mais competitivos de audiência”. Só que essa transformação foi conduzida por Juliana Algañaraz, que já tinha comandado a Endemol Shine Brasil, assumiu a Gazeta em setembro de 2025 com a missão de turbinar o branded content e foi dispensada no dia 1º de setembro deste ano. A reformulação não entregou o retorno financeiro nem a audiência esperados, num cenário de investimento limitado e de longas faixas religiosas no ar. O novo chefe herda o projeto e a fatura.

Tem número bom na mesa, sim. Em abril, o Mulheres, com Glória Vanique, marcou 0,6 de média e 0,8 de pico na Grande São Paulo, o melhor resultado desde fevereiro de 2021. No mesmo dia, o Gazeta Esportiva cravou 1,2 de média, a maior audiência do programa desde agosto de 2023, e a emissora ficou em quinto lugar na faixa das 13h às 20h. Mas a estreia da nova grade, em março, veio com falha de áudio e de chroma key, e o Mulheres oscilava entre 0,4 e 0,6, brigando décimo a décimo com TV Cultura e TV Brasil. Pico bonito rende post. Mídia kit precisa de constância.

E aqui mora a maior ironia da história. A Gazeta pertence à mesma fundação que mantém a Cásper Líbero, a primeira faculdade de jornalismo do país. Uma multidão de comunicadores de São Paulo passou por aquele endereço. A emissora tem a fábrica de talentos dentro de casa e ainda luta para ser lembrada pelo mercado publicitário. A integração prometida para 2027 só faz sentido se virar programa que alguém comente na segunda de manhã.

Então, qual é o maior desafio de Lucas Gentil? Fazer a Gazeta parecer grande com sete horas de grade, colocar o popular do SBT no ar com o acabamento que a marca Cásper Líbero exige e convencer o anunciante de que vale pagar para estar ali. O homem do Bake Off sabe melhor do que ninguém: bolo bonito sem recheio a gente devolve na primeira mordida.

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