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Kátia Flávia
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Lenda do JN, Celso Freitas deixa o SBT e dá adeus à TV após 56 anos

Ele se despede nesta segunda, 26 de outubro, logo depois de ajudar a estrear o SBT News, o terceiro canal de notícias que botou no ar. O motivo cabe numa frase só: quer tempo para curtir a vida.

Kátia Flávia

26/10/2026 8h46

Celso Freitas encerra sua trajetória na televisão após 56 anos de carreira, segundo informações divulgadas por Flávio Ricco.

Celso Freitas encerra sua trajetória na televisão após 56 anos de carreira, segundo informações divulgadas por Flávio Ricco.

Acordei hoje com a casa ainda em silêncio e a cabeça naquela ressaca eleitoral que todo brasileiro conhece bem depois de um segundo turno. Lista de coisas para resolver, telefone tocando sem parar em cima da mesa, e eu ali, de caneca na mão, abrindo o portal do Leonardo só para ver o que tinha saído de madrugada. Aí dei de cara com a coluna do Flávio Ricco e sentei de novo. Gente. O Celso Freitas vai embora.

Ricco conversou com o próprio apresentador, que encerra a passagem pelo SBT e se despede da televisão nesta segunda. Sem crise, sem briga de contrato, sem nota misteriosa de assessoria. Ele mesmo explicou: “Quero ter mais tempo para curtir a vida. Lá se vão 56 anos de jornada”. Pronto. Num meio em que todo mundo sai dizendo que vai “se dedicar a novos projetos”, ele teve a elegância de admitir que o projeto agora é ele mesmo, tanto que nem detalhou planos para depois da despedida.

E agora vem o detalhe que eu acho maravilhoso. Celso não saiu no meio do caminho, saiu logo depois de participar da estreia do SBT News. É o terceiro canal de notícias que ele ajuda a inaugurar no Brasil, depois da GloboNews e da Record News. O homem é praticamente o padrinho oficial de canal jornalístico neste país. Ele disse que é extremamente grato por ter participado da estreia e fez questão de lembrar o tratamento especial que recebeu nesses trabalhos e a chance de fazer algo diferente do noticiário duro do dia a dia. Quer coisa mais chique do que acender a luz da casa nova e depois sair de cena?

Para quem só conhece o Celso das noites da Record, um pouco de memória. Ele é de Criciúma, em Santa Catarina, começou no rádio aos 16 anos e construiu a carreira na televisão a partir de Brasília, o que faz desta despedida quase uma notícia da casa para quem lê esta coluna. Na Globo, ganhou o país em 1983, quando assumiu a bancada do Jornal Nacional ao lado de Cid Moreira, e ficou lá até 1989. Também apresentou o Fantástico e o Globo Repórter, e fez parte da programação da GloboNews. Ou seja, durante anos ele foi literalmente a voz que entrava na sala do brasileiro antes da novela das oito.

Em 2004 veio a virada: trocou a Globo pela Record. Passou pelo Domingo Espetacular e pelo Repórter Record e, dois anos depois, assumiu o Jornal da Record, que virou o principal trabalho dele na emissora e a cara pela qual uma geração inteira passou a reconhecê-lo. Depois ainda ajudou a colocar a Record News no ar, até chegar ao SBT para fechar o ciclo com mais um lançamento.

Numa segunda em que o país inteiro acordou querendo discutir urna, voto e resultado, a notícia que me fez largar a caneca foi a de um senhor de 56 anos de profissão avisando, com toda a calma do mundo, que agora vai viver. Obrigada pelo jornalismo de primeira, Celso. E eu, com essa ressaca e o telefone berrando aqui do lado, confesso: deu uma invejinha.

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