Acordei no Cosme Velho às cinco da manhã, porque o corpo ainda acha que está em Portugal, e fui desfazer a mala no escuro para não perder tempo. Estava tirando as queijadas de Sintra do meio das roupas quando o telefone tocou com uma amiga de São Paulo, dessas que acordam cedo para trabalhar e não perdoam quem acabou de chegar. Gente, larguei o pacote em cima da cama. Karol Conká vai botar bloco na rua no Carnaval de 2027.
O nome já diz quem manda: Bloko Conká, com K, do jeitinho dela. A data do desfile pela capital paulista ainda não foi divulgada, mas o primeiro passo já está marcado. No dia 11 de dezembro, a cantora faz o esKenta do bloco na High Club, em São Paulo. Ou seja, o Carnaval dela começa dois meses antes do Carnaval de todo mundo.

Agora vem a parte boa. A estreia cai justamente no ano em que Karol completa 25 anos de carreira, e o bloco foi pensado como uma extensão do som dela. O trio elétrico vai virar laboratório, com repertório passeando por diferentes fases da trajetória da rapper e releituras de músicas brasileiras e clássicos internacionais misturados a rap, afrobeats e o grave pesado da música urbana. Quem for esperando marchinha de salão vai sair de lá com o pescoço dolorido de tanto balançar a cabeça.
O palco também promete gente variada, juntando nomes da cena independente com artistas já consagrados. Os convidados, por enquanto, ficam em segredo, e eu já estou anotando quem anda postando foto em estúdio com ela. O projeto ainda prevê diversidade no palco e na equipe que coloca o bloco de pé, com um ambiente pensado para acolher o público LGBTQIA+ e as periferias.
Peraí, que tem história por trás. Em 2021, Karol saiu do BBB 21 com a maior rejeição já registrada no programa, 99,17% dos votos, e passou os anos seguintes reconstruindo a carreira, inclusive contando esse processo no documentário A Vida Depois do Tombo. Chegar aos 25 anos de estrada puxando bloco na maior cidade do país tem gosto de virada de jogo.

Eu mal pisei no Rio e já estou olhando passagem para São Paulo em fevereiro. As queijadas de Sintra vão ter que esperar, porque eu quero ver de perto esse trio elétrico com sotaque de Curitiba e batida de pista.