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Kátia Flávia
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Ju Isen cumpre 30 dias sem ChatGPT por recomendação do terapeuta e descobre dependência da IA

A influenciadora Ju Isen, de 39 anos, passou um mês longe do ChatGPT após orientação terapêutica e afirma que a experiência revelou uma relação de dependência com a inteligência artificial.

Kátia Flávia

10/06/2026 9h53

Ju Isen revelou que passou 30 dias longe do ChatGPT após recomendação do terapeuta.

Ju Isen revelou que passou 30 dias longe do ChatGPT após recomendação do terapeuta.

Eu estava saindo de casa rumo à academia no Leblon quando uma amiga me ligou completamente indignada para contar que a influenciadora Ju Isen tinha passado trinta dias sem dirigir uma única palavra ao ChatGPT. Dei meia-volta na mesma hora. Porque gente que descobre estar emocionalmente envolvida com inteligência artificial é o tipo de trama contemporânea que merece atenção.

A história começou durante as sessões de terapia. Segundo Ju Isen, o próprio terapeuta percebeu que a ferramenta aparecia em praticamente todas as conversas. Fosse para resolver dúvidas do dia a dia, organizar compromissos ou refletir sobre questões pessoais, o ChatGPT sempre acabava entrando no assunto.

Foi então que veio a proposta: passar trinta dias sem utilizar a plataforma.

No início, a influenciadora achou que a sugestão era exagerada. Afinal, muita gente usa inteligência artificial para tarefas cotidianas sem imaginar qualquer tipo de dependência. Mas bastaram os primeiros dias para que ela percebesse que a relação era mais intensa do que imaginava.

Segundo Ju, sempre que surgia uma dúvida, um problema ou uma necessidade de orientação rápida, a reação automática era procurar a ferramenta.

“Eu me peguei diversas vezes querendo abrir o aplicativo para perguntar coisas simples. Foi quando percebi o quanto aquilo já fazia parte da minha rotina”, relatou.

O que mais chamou atenção, porém, foi a forma como o uso ultrapassava questões práticas.

A influenciadora revelou que também recorria à inteligência artificial para conversar sobre sentimentos, relacionamentos, inseguranças e conflitos emocionais. Em muitos momentos, buscava respostas, validações ou reflexões dentro da plataforma, transformando a ferramenta em uma espécie de conselheira digital disponível vinte e quatro horas por dia.

Foi justamente esse comportamento que motivou a preocupação do terapeuta.

Durante o período de afastamento, Ju Isen afirma que precisou voltar a lidar diretamente com dúvidas, emoções e decisões sem recorrer imediatamente à tecnologia. A experiência, segundo ela, serviu para recuperar parte da autonomia emocional que havia sido terceirizada para a inteligência artificial.

Ao final dos trinta dias, a influenciadora voltou a utilizar o ChatGPT, mas afirma que estabeleceu novos limites para a relação com a ferramenta.

Hoje, ela diz enxergar a plataforma como um recurso de apoio para trabalho, pesquisa e organização, sem ocupar o espaço de pessoas reais ou substituir processos importantes de reflexão pessoal.

Eu confesso que fiquei pensando no assunto enquanto amarrava o tênis de novo. Porque a história parece engraçada à primeira vista, mas talvez diga muito sobre o nosso tempo. A gente conversa com aplicativo, pede opinião para algoritmo, compartilha angústia com uma tela e, sem perceber, transforma conveniência em companhia.

No fim, a experiência de Ju Isen não fala apenas sobre inteligência artificial. Fala sobre solidão, praticidade e sobre a facilidade com que qualquer ferramenta útil pode acabar ocupando espaços que antes pertenciam às relações humanas.

E isso, meu amor, talvez seja a parte mais interessante de toda essa história.

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