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Kátia Flávia
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Jorge & Mateus viram alvo de boicote por Bolsonaro, e a música paga a conta

Shows da dupla no Réveillon de Recife e Fortaleza são contestados após apoio de Jorge a Flávio Bolsonaro. Críticas incluem pedidos de cancelamento.

Kátia Flávia

03/11/2026 8h38

Shows de Jorge & Mateus previstos para o Réveillon de Recife e Fortaleza se tornaram alvo de pedidos de cancelamento.

Jorge & Mateus enfrentam críticas nas redes sociais após manifestações políticas de Jorge durante a campanha presidencial de 2026.

Minhas fofoqueiras, eu estou atrasadíssima para a academia, tentando terminar meu suquinho de melancia, escolher uma roupa e sair de casa, mas já comecei esta terça-feira indignada. Abro o celular e descubro que estão querendo cancelar Jorge & Mateus no Nordeste por causa de política. Peraí. Quer dizer que agora eu preciso consultar a preferência eleitoral de um cantor antes de colocar uma música dele para tocar? Que coisa cafona! Que coisa horrorosa! Imaginem se eu vou deixar de cantar aquelas músicas românticas, aquelas letras que fazem a gente lembrar de quem não devia, porque Jorge declarou apoio a Bolsonaro. Ah, tenham paciência!

A confusão começou depois que a dupla foi anunciada entre as atrações dos réveillons de Recife e Fortaleza. Segundo reportagem publicada pela Veja nesta segunda-feira (2), parte dos internautas passou a questionar as apresentações por causa do apoio de Jorge à candidatura de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2026. Um vídeo do cantor participando de um ato político voltou a circular, acompanhado de uma declaração bastante direta: “Pode chorar, mas eu não voto no PT”.

E aí começaram os pedidos de cancelamento. Na página oficial da dupla, seguidores escreveram mensagens como “Não venham para o Ceará” e “Não são bem-vindos no Recife”. Outros cobraram respeito ao Nordeste. Até a publicação da reportagem, nem a dupla nem os organizadores dos eventos haviam se manifestado sobre a controvérsia. E eu fiquei olhando aquilo tudo pensando: desde quando gostar de uma música virou declaração de voto?

Vou dar meu veredito, porque opinião é uma coisa que eu nunca economizei. Acho absolutamente legítimo discordar de Jorge, criticar seu posicionamento político e até decidir não consumir mais o trabalho dele. Cada um sabe onde aperta o próprio sapato. Mas transformar preferência partidária em critério para decidir quem pode subir num palco? Eu acho um absurdo. Não preciso concordar com um artista na urna para reconhecer seu talento no microfone. E não vou fingir que uma canção deixou de ser bonita porque descobri em quem seu intérprete votou.

Aliás, essa mania de exigir alinhamento ideológico de todo mundo está ficando insuportável. Música não é santinho eleitoral. Uma letra romântica não precisa apresentar certidão de filiação partidária para emocionar alguém. Jorge pode apoiar Flávio Bolsonaro. Eu posso discordar dele. E ainda assim posso ouvir Jorge & Mateus no carro, cantar desafinada e achar a música maravilhosa. Uma coisa não anula necessariamente a outra.

Agora, deixem eu terminar meu suco e correr para a academia, porque já perdi tempo demais com essa discussão. E vou dizer uma última coisa: quando a política começa a determinar até quais músicas podemos gostar, o problema já deixou de ser o repertório. Virou uma patrulha de gosto pessoal. E, para mim, não existe nada mais cafona do que querer mandar até na playlist dos outros.

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