Eu estava voltando para a minha casa na serra, em Petrópolis, com aquela turma de amigos que sobe comigo para fugir do calor do Rio, quando o telefone tocou e do outro lado estava a Joana Cabral. A voz dela vinha embargada. Larguei a mala na porta, pedi licença para a sala cheia e sentei na varanda para ouvir com calma o que a atriz tinha para me contar.
A Joana me confirmou o que já vinha dividindo com o público nos últimos dias. Ela recebeu o diagnóstico de alopecia androgenética e alopecia areata, duas condições que atingem o couro cabeludo e provocam queda importante dos fios. Hoje a atriz está proibida pelo tricologista de tomar qualquer tipo de anabolizante, com exceção do GH, e leva essa orientação a sério como parte do tratamento.

O começo de tudo, ela me explicou, veio depois da Covid. Na época, a Joana fazia uso do anabolizante Masteron, e a soma do hormônio com a infecção viral acabou desencadeando o quadro. Aos 37 anos, com uma trajetória que passa por concursos de beleza, televisão e uma legião de seguidores nas redes, ela sempre teve no cabelo um pedaço da própria história, e ver os fios caindo mexeu fundo.

Nas redes, a Joana resolveu falar abertamente sobre o assunto, sem disfarçar a dor que ele traz. Ela contou que as piores quedas chegam nos picos de estresse, quando aparecem os chamados eflúvios telógenos, e que a autoestima sente o golpe a cada fase mais intensa. Foi uma fala corajosa, porque alopecia em mulher ainda carrega um tabu enorme, e ouvir uma atriz conhecida tratar o tema de frente abre caminho para muita gente que enfrenta a mesma coisa sem coragem de comentar.
Desliguei o telefone com o coração apertado e um respeito imenso pela coragem da Joana. Fica o lembrete que vale para todos que me leem: anabolizante é coisa séria e só deveria entrar na vida de alguém com indicação e acompanhamento médico de verdade. E para a Joana fica o carinho desta colunista, que torce de Petrópolis para que os fios e a autoestima dela voltem a crescer fortes.