Eu tinha acabado de sair da academia no Leblon, ainda jurando que ia tomar um suco verde antes do almoço, quando o telefone tocou. Era a Rosane, aquela amiga de assessoria que só me procura quando a pauta presta de verdade. Ela me soltou a notícia em duas frases e eu liguei o modo coluna ali mesmo, no meio da calçada. Babado de gente fina chegando, e dessa vez sem treta e sem barraco. Olha o luxo que caiu no meu colo.
A Caixa Cultural São Paulo, na Praça da Sé, recebe de 2 a 5 de julho o espetáculo infantil Cantabrincando com Grandes Pequeninos, de quinta a domingo, sempre às 15h. Quem assina a função é o casal Jair Oliveira e Tania Khalill, que subiu pro palco as canções do quarto álbum do projeto. A montagem mistura música, teatro e participação da plateia, com criança e adulto cantando junto na maior festa. E o melhor pro seu bolso, minha gente: entrada gratuita, ingresso distribuído uma hora antes de cada sessão, um por pessoa e classificação livre.

Porque eu, que tenho memória de elefante e arquivo de fofoqueira séria, lembro direitinho de onde veio essa história toda. O Grandes Pequeninos nasceu em 2007, quando chegou a Isabela, a primogênita do casal, e ganhou reforço em 2011 com a Laura, a caçula. O Jair, que o Brasil conhece como Jairzinho desde a Turma do Balão Mágico, é filho do nosso eterno Jair Rodrigues e irmão da Luciana Mello, se formou na Berklee, lá em Boston, e leva música no sangue. A Tania veio da dança e da atuação e bota a mão na criação do projeto inteiro. Já em 2009 o trabalho colecionava indicação ao Grammy Latino de melhor álbum infantil, e de lá pra cá foram quatro discos, livros, clipe animado e conteúdo até em Discovery Kids e Netflix.

No streaming a turma também não brinca em serviço. São mais de 350 mil inscritos no YouTube e mais de 150 milhões de visualizações de pais aflitos achando refúgio numa cantiga decente pros filhos. O disco novo traz dez faixas inéditas e sete personagens animados, com pérolas como Cabrito Brito e No Circo do Chico, sem esquecer os clássicos que toda mãe canta no chuveiro, tipo Cocô, Xixi e Pum e Normal é Ser Diferente. A direção artística é do Márcio Mariel e a parte musical fica toda no colo do Jair. Pode anotar que a fila de família querendo lugar vai se formar antes mesmo de abrir a bilheteria.
Então fica o meu recado de quem entende do ramo: marque na agenda, chegue cedo na Praça da Sé e garanta o ingressinho, porque coisa boa e de graça some num piscar de olhos nessa cidade. Num meio que vive de término escandaloso e reconciliação cronometrada, ver marido e mulher transformando a bagunça de filho pequeno em projeto premiado é o tipo de fofoca que eu faço questão de espalhar. Vai sem medo que esse é dos meus babados favoritos, daqueles que a gente conta sorrindo.