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Kátia Flávia
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Ivete, 53, ainda dona do jogo: os números que explicam o milhão que ela arrastou em São Paulo

Ivete Sangalo reuniu cerca de 1,2 milhão de pessoas no entorno do Parque do Ibirapuera ao estrear no Carnaval de rua de São Paulo, em uma ação que combinou multidão, marca e dinheiro em circulação. Aos 53 anos, a cantora escancarou, com números e ocupação real de espaço urbano, que segue sendo uma das artistas mais poderosas do país em audiência, negócios e retorno comercial.

Kátia Flávia

08/02/2026 8h45

Ivete Sangalo reuniu cerca de 1,2 milhão de pessoas no entorno do Parque do Ibirapuera ao estrear no Carnaval de rua de São Paulo, em uma ação que combinou multidão, marca e dinheiro em circulação. Aos 53 anos, a cantora escancarou, com números e ocupação real de espaço urbano, que segue sendo uma das artistas mais poderosas do país em audiência, negócios e retorno comercial.

Amores, o que aconteceu ontem em São Paulo foi uma coisa fora da curva, fora do juízo e fora do laquê previsto. Eu estou até agora passada, assustada, meio sem acreditar no que meus próprios olhos viram. Eu nunca vi o Ibirapuera daquele jeito. Nunca. Aquilo ali virou outra cidade, outro planeta, outro estado emocional coletivo, minha mainha Dona Ivete IBIRIPUELIZOU! ( acabei de inventar essa palavra) 

Deu vontade de pular no meio daquela multidão, confesso. Glitter voando, purpurina grudada na alma, cabelo pedindo socorro no shampoo e eu me achando jovem, inconsequente e completamente possuída pela loucura do momento. Era gente até onde o olhar não alcançava, uma humilhação deliciosa de tão grandiosa, daquele tipo que faz a gente pensar “meu Deus, eu queria estar ali agora”.

Foto: Reprodução/ TMC

Vou começar dizendo o óbvio que muita gente finge não ver. Aquilo ali não foi só um bloco. Foi uma operação de mídia ao ar livre, com horário marcado, patrocínio amarrado e entrega mensurável. Ivete Sangalo estacionou um trio em frente ao Parque do Ibirapuera, numa manhã de sábado, e fez o que muita campanha de marketing, com meses de briefing e verba pesada, não consegue nem chegar perto.

Foto: Van Campos/AGNews

A Polícia Militar estimou 1,2 milhão de pessoas espremidas no circuito do megabloco Quem Pede, Pede. Um milhão e duzentos mil corpos no mesmo CEP, cantando, filmando, postando e entregando atenção gratuita para as marcas coladas naquele caminhão. Do alto, os drones mostravam um tapete humano que não parecia Carnaval. Parecia inventário de audiência. Aquilo era menos folia e mais mídia exterior viva, pulsante, impossível de ignorar.

E nada disso é acidente. Esse mar de gente é consequência direta de uma carreira tratada como negócio há muito tempo. Estimativas de mercado colocam a fortuna de Ivete na casa de 400 a 500 milhões de reais, somando cachês, televisão, publicidade e participações em empresas. A antiga Caco de Telha, hoje IESSI, funciona como central de operações dessa engrenagem, controlando turnês, blocos e camarotes que já deixaram de ser evento pontual para virar ativo fixo no calendário da indústria do entretenimento.

Nas receitas consideradas clássicas, Ivete joga na prateleira de cima. Já figurou entre as artistas de maior cachê do país, com shows que, somando fee artístico, estrutura e logística, chegam facilmente à casa dos sete dígitos em datas estratégicas, ainda que os valores exatos nunca sejam confirmados publicamente. Entre um trio e outro, a mesma voz aparece em campanhas de banco, telefonia, varejo, bebidas e alimentação, sustentada por estudos de branding que há anos a colocam como uma das celebridades mais confiáveis para o consumidor brasileiro. Confiança, nesse caso, vira contrato renovado.

Nem o feed dela é terreno neutro. Rankings de influenciadores já apontaram Ivete entre as brasileiras que mais faturam com posts patrocinados no Instagram, com projeções que ultrapassam 10 milhões de dólares anuais em publicidade digital. Quando você cruza esse alcance online com a entrega física de um milhão de pessoas em São Paulo, o desenho que surge é o de uma artista que transformou a própria biografia em funil de vendas permanente, sem depender de hit novo a cada verão para se manter relevante.

Se o trio elétrico funciona como outdoor, a Vero Brodo é a prova de que Ivete também aprendeu a operar do outro lado do balcão. A marca de caldos naturais criada com Daniel Cady e um sócio já passou da fase de curiosidade de famoso. Em 2024, faturou cerca de 2 milhões de reais e engatou um plano de expansão com nova fábrica na Bahia, investimento estimado em 60 milhões e meta de alcançar entre 45 e 46 milhões de reais em faturamento anual, com presença em mais de 800 pontos de venda pelo país. Aqui não tem romantização. Tem escala.

O plano é claro e nada ingênuo. Usar o rosto e a credibilidade da cantora para disputar espaço em um mercado de alimentação saudável que movimenta dezenas de bilhões por ano. Enquanto isso, executivos discutem CAPEX, ticket médio por embalagem, penetração em gôndola e entrada em grandes redes de varejo e food service. Em termos práticos, a mesma mulher que ontem comandava uma massa humana em São Paulo hoje senta para falar de fábrica, logística e margem. Tudo com o CPF protegido, sem improviso.

No Carnaval, todas essas camadas se encontram. Rua, TV, rádio, redes sociais e imprensa operando ao mesmo tempo. Por isso reportagens de negócios já tratam a folia como uma das maiores plataformas de marketing do país, e Ivete como um dos poucos nomes capazes de transformar bloco, trio e camarote em máquina de milhões, com retorno mensurável para patrocinador. Em 2026, ela cruza São Paulo, Salvador e Rio com blocos e espaços premium assinados por marcas grandes, somando públicos na casa das centenas de milhares por dia.

Quando você volta à imagem de ontem, 1,2 milhão de pessoas diante do Ibirapuera num sábado de manhã, a frase “Ivete, 53, ainda dona do jogo” deixa de ser elogio de fã e vira linha de balanço. Depois de três décadas de carreira, ela segue convertendo carisma em patrimônio, multidão em inventário publicitário e caldo em projeção de faturamento.

Num mercado em que muita celebridade ainda tenta entender como transformar seguidor em dinheiro, Ivete continua resolvendo tudo do jeito mais simples e mais industrial possível. Junta gente, fecha contrato, abre fábrica e prova, com número na mesa, que a folia dela é negócio de gente grande.

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