Minhas peruas, eu mal tinha guardado a taça da vitória sobre o Japão e o meu celular tocou de novo, dessa vez uma chamada de vídeo de uma das minhas amigas mais deslumbradas, daquelas que vivem trocando de casa de praia como quem troca de bolsa. Ela me ligou direto da areia, com o vento bagunçando o cabelo e aquele sorriso de quem descobriu o próximo filão, e me jogou na cara um assunto que eu conheço de perto: os Hamptons.
Porque, gente, eu já passei temporada por lá, naquela faixa litorânea no extremo leste de Long Island, a duas horinhas de Nova York, onde os bilionários americanos guardam a segunda casa para fugir do mundo. E olha que coisa: o preço médio residencial por lá fechou o último trimestre de 2025 em US$ 3,76 milhões, e no segmento de luxo, o creme do creme, os valores partem de US$ 7,375 milhões com média de US$ 14,9 milhões. É dinheiro que não cabe na bolsa, minhas filhas.

Pois a novidade que a minha amiga me sussurrou da praia é que tem um cantinho do Brasil seguindo exatamente a mesma cartilha. Estou falando da Interpraias, em Balneário Camboriú, aquele trecho catarinense que reúne Laranjeiras, Taquaras, Praia do Pinho, Estaleiro e Estaleirinho. O metro quadrado de lá já acumulou valorização superior a 200% nos últimos cinco anos, e a projeção é de mais 50% em apenas dois anos. O ticket médio hoje gira em torno de R$ 20 milhões, ou seja, não é casinha de pescador, é mansão de gente que entende do assunto.
Quem me deu a aula foi Maurício Girolamo, CEO da J. Maurício e vice-presidente do conselho gestor da APA Costa Brava, que eu já apelidei de o Xerife da Costa Brava. Ele me explicou que a Interpraias virou um mercado próprio, onde o investidor não olha só para o tijolo, mas para o que aquele lugar vai poder ou não vai poder se tornar daqui a dez, vinte anos. Quando existe regra ambiental e urbanística clara, a previsibilidade entra no preço. Traduzindo para o nosso idioma: escassez controlada é o novo Chanel.
E a escassez aqui é institucional, viu? O tal plano de manejo da região limita a ocupação com mão de ferro. Nas áreas planas, no máximo três pavimentos e ocupação de até 40% do terreno. Na morraria, a regra é ainda mais apertada. É como uma lista VIP de balada chiquérrima: justamente porque entra pouca gente é que todo mundo quer estar lá dentro.
O Theo Girolamo, corretor da mesma casa, completou o raciocínio comparando diretamente com os Hamptons no perfil de quem compra. O freguês de segunda moradia quer silêncio, privacidade, baixa densidade e natureza preservada. Quando isso vem junto de oferta limitada, o imóvel deixa de valer pela metragem e passa a valer pelo território. E a Interpraias tem o golpe de mestre: praia preservada com acesso rapidinho ao centro de Balneário Camboriú, coisa raríssima em um litoral que já virou floresta de espigões.

Tem ainda o detalhe que faz o capital paciente babar: sinais de organização territorial. A região anunciou R$ 720 mil em investimento em segurança e monitoramento, com uma primeira leva de cerca de cem câmeras. O mercado lê isso como reforço de proteção ao patrimônio e estabilidade do entorno, que é o mesmo que dizer para o ricaço que o brinquedo dele vai estar bem guardado.
Encerrei a chamada com a minha amiga jurando que vou dar um pulo lá para conferir de perto, porque, se os Hamptons transformaram litoral preservado e privacidade em ativo global, a Interpraias está trilhando o mesmo caminho na versão tupiniquim: um mercado onde o imóvel vale cada vez mais pela raridade do lugar onde ele está. E eu, que já vi esse filme em Long Island, garanto que sei como termina. Beijos perfumados e que venha o próximo capítulo!