Cheguei na academia, ainda ofegante da corrida de Cosme Velho, quando o telefone tocou de novo. Dessa vez era uma fonte do mundo corporativo, e o assunto não era arte, era infraestrutura de rede. Mas pode deixar: quando o Grupo Boticário, um dos maiores grupos de beleza do planeta, decide modernizar a espinha dorsal tecnológica de mais de 4.000 lojas ao mesmo tempo, isso vira novela de bastidor empresarial e eu anoto tudo.
A parceria com a Cisco entrega uma plataforma SD-WAN que elimina os servidores locais das unidades e migra tudo para gerenciamento em nuvem. Na prática, significa que uma loja em Manaus e outra em Porto Alegre passam a operar com o mesmo padrão de conectividade, monitoramento centralizado e sem depender de um técnico no balcão toda vez que a internet cai no meio de uma venda. O responsável pelo projeto no Boticário, Ronaldo Geller, conta que a taxa de contato do franqueado com suporte caiu mais de 50%. Isso, em franquia, é música.



Os números da infraestrutura dão a dimensão do projeto: 4.000 dispositivos SD-WAN instalados, 3.500 pontos de acesso, 700 switches, 100 câmeras e 24 concentradores core virtual. Não é upgrade de rotina. É uma operação de guerra logística que começou em setembro de 2024 e só termina em 2026 com a migração completa de todos os pontos de venda.
Marcel Lima, líder de Enterprise da Cisco Brasil, define a parceria como uma transformação do varejo em negócio mais estratégico e centrado no cliente.
Palavra de fornecedor tem esse sabor otimista natural, mas os dados do projeto sustentam o discurso. Quando a conectividade para de ser problema operacional, a loja pode focar no que importa: vender, atender e não travar no caixa na hora do pico.
O Grupo Boticário está reescrevendo sua infraestrutura por baixo, longe dos holofotes, enquanto o consumidor só enxerga a vitrine. É exatamente aí que mora o negócio bem administrado.