Uma amiga ligou de Los Angeles no domingo à noite ainda com confete no cabelo pra me contar como foi o encerramento da turnê. Grag Queen fechou a “Cósmica” na Califórnia com três shows seguidos e uma recepção que, segundo quem estava lá, não deixou dúvida de que essa menina atravessou o Atlântico e plantou bandeira.
Foram 16 cidades em três semanas. Nova York, Los Angeles, Chicago, Atlanta, São Francisco, Palm Springs. No ritmo que ela mesma descreveu: aeroporto, clube, sem dormir, mala extraviada, montação seguida e zero day-off. Quem conhece o que é produzir um show drag de alto nível sabe que isso não é tour, é missão espacial. O nome “Cósmica” não era metáfora, era aviso.



O que impressiona nessa volta aos Estados Unidos é o salto de contexto. Na primeira vez, Grag chegou antes do Drag Race, antes do álbum, antes da Warner. Dessa vez chegou com tudo isso no currículo e o público sentiu a diferença. Mais gente nos shows, mais conexões, mais brasileiros da diáspora lotando sala pra matar saudade de arte com molho e axé, como ela disse. E novos fãs que encontraram o trabalho dela do zero e ficaram.
Ser reconhecida nas ruas de Los Angeles e Nova York sendo quem você é, fazendo o que você faz, e sair de lá com a agenda já confirmada para o ano que vem. Isso tem nome: trajetória.
Em maio ela retorna ao Brasil para dois shows no Blue Note, no dia 6 em São Paulo e no dia 9 no Rio, no formato voz e piano. Depois de três semanas em modo foguete, apostar num formato íntimo e desnudo é uma escolha de quem chegou num lugar seguro o suficiente pra sentar, respirar e só cantar.