Eu estava no jardim da casa que aluguei no Labeloura, em Sintra, separando as taças para receber duas amigas no almoço, quando o telefone tocou com uma produtora de São Paulo que sempre sabe do corte antes de ele ir ao ar. “Kátia, o Gominho abriu a caixa do grupo.” Larguei a taça na mesa de pedra e sentei. Logo eu, que nunca recebi pauta por WhatsApp na vida, fisgada por uma treta que nasceu num grupo de WhatsApp que, segundo o próprio acusado, nunca existiu.
Na conversa, Gominho voltou ao começo de tudo, quando era todo mundo muito amigo. Jojo contou a Anitta que tinha pegado o celular dele e visto um grupo formado por ele, Preta e Pabllo só para detonar a cantora. Anitta acreditou e, em 2019, cortou relações com os três. Agora ele crava que Jojo “inventou essa loucura” e solta o detalhe que muito Anitter ainda desconhece: Jojo pediu desculpas a ele e a Pabllo, e ele e Anitta voltaram a se falar.
O problema é que a fofoca não ficou no bastidor. Gominho estava em Curaçao, no festival de jazz da ilha, quando o celular começou a apitar sem parar. Léo Dias tinha postado uma foto com Jojo avisando que aquela história estaria em “Furacão Anitta”, a biografia não autorizada que ele lançou em 2019. Ele foi ler os comentários, deu de cara com os Anitters pegando pesado e teve uma crise de choro, “sempre pela injustiça”, fez questão de dizer. Amo o meu Leonardo de paixão, vocês sabem, mas livro tem essa crueldade: o que vai para o papel não sai mais.
Aí entra Ivete, que pelo visto atende amigo em crise com protocolo de pronto socorro. Gominho ligou soluçando e ouviu, antes de qualquer conversa, a ordem de pegar um copo d’água e ler um salmo, que ele jura ser o 91 ou o 92. Depois veio a frase que encerrou o choro: se ele saísse na rua naquela hora, ninguém estaria falando daquilo, e as pessoas que fossem ler o livro não eram exatamente gente que importava para ele. Gominho decidiu que aquilo tudo era “um grande umbral” e garante que, depois daquele dia, nunca mais sofreu com o assunto. Ivete devia cobrar consulta.
A versão dele não chega sozinha. Em 2020, Léo divulgou um áudio antigo de Anitta narrando a história contada por Jojo, e Preta Gil respondeu em vídeo dizendo que tinha ligado para a amiga na época do livro para negar tudo, e que Anitta preferiu acreditar em Jojo. Em 2024, Carlos Machado, antigo namorado de Jojo, disse à colunista Fábia Oliveira que ela inventou o grupo, e no fim daquele ano Gominho entregou um prêmio a Anitta e aproveitou para cutucar Jojo nas redes. Jojo, por sua vez, já sustentou na televisão que não tinha motivo nenhum para inventar nada.
Quem não está aqui para ouvir esse capítulo é Preta, que morreu em julho de 2025, depois de anos de tratamento contra o câncer, com Gominho ao lado em boa parte dele. E a ironia fica para o leitor: o grupo fantasma rendeu briga, livro e áudio vazado, mas o único grupo comprovado dessa história toda é a Turma da Alegria, que Gominho montou com Ivete, Carolina Dieckmann e outros amigos para animar Preta durante a doença. Esse eu entraria sem pensar duas vezes.