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Kátia Flávia
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Globo quebra silêncio sobre guerra com SBT e CazéTV na Copa: “A transmissão não acaba no jogo”

Diretor Manuel Belmar defendeu a força da TV aberta, disse que a disputa vai além dos direitos de exibição e afirmou que mais de 41 milhões de pessoas assistiram aos jogos somente pela Globo.

Kátia Flávia

29/06/2026 15h19

A Globo respondeu pela primeira vez à disputa com SBT e CazéTV na Copa do Mundo e mandou um recado ao mercado.

A Globo respondeu pela primeira vez à disputa com SBT e CazéTV na Copa do Mundo e mandou um recado ao mercado.

A Globo resolveu falar em voz alta sobre a disputa com SBT e CazéTV na Copa do Mundo de 2026. Em entrevista à Veja, Manuel Belmar, diretor financeiro e de produtos digitais da emissora, defendeu que a competição pelo público não se resume a quem transmite mais jogos e afirmou que a Copa virou uma guerra de atenção espalhada pela TV, pelo digital, pelos telejornais, pelos programas e pelas redes sociais.

Eu estava no Cosme Velho, no intervalo moral entre um ataque do Brasil e uma bandeja de petisco desaparecendo da mesa, quando chegou a entrevista do diretor da Globo. E aí, meu amor, a partida ganhou outro campo. De um lado, SBT fazendo barulho de TV raiz. Do outro, CazéTV vendendo o clima de arquibancada digital. No meio, a Globo ajeitando o blazer e dizendo, com elegância corporativa: calma, crianças, Copa não é só botar o jogo no ar.

Para Manuel Belmar, a guerra da Copa vai muito além dos 90 minutos e a força da Globo está em transformar o torneio em assunto nacional.
Para Manuel Belmar, a guerra da Copa vai muito além dos 90 minutos e a força da Globo está em transformar o torneio em assunto nacional.

Belmar afirmou que a Globo sempre conviveu com concorrência, primeiro na TV aberta, depois na TV por assinatura e agora também no digital. Mas reconheceu que a dinâmica mudou.

“A verdade é que a Globo sempre conviveu em um ambiente de forte concorrência. Primeiro na TV aberta, depois na TV por assinatura e, agora, também no digital. Inclusive em Copas passadas, onde sempre dividimos a exibição com outros players. O que mudou foi a dinâmica das transmissões esportivas”, disse.

Essa é a primeira Copa em que a Globo não exibe todos os jogos, dividindo o protagonismo com outra emissora aberta e com um canal de internet. A ausência de algumas partidas importantes na grade virou munição para críticas, principalmente porque o público se acostumou a tratar Copa do Mundo como território quase exclusivo da emissora.

Sobre isso, Belmar foi direto ao ponto financeiro da novela.

“Hoje, o grande desafio é combinar duas realidades: a escalada dos custos de direitos e a estratégia para capturar a atenção do torcedor, que está fragmentada entre tantas ofertas. Uma fragmentação que é realidade não só no Brasil”, afirmou.

Em outras palavras, acabou o tempo em que bastava comprar o pacote, abrir a transmissão e esperar o país inteiro sentar na frente da TV. Agora tem custo alto, público dividido, streaming gritando, rede social fazendo corte, influenciador narrando lance e patrocinador querendo aparecer até no suspiro do narrador.

“A discussão é bem mais ampla do que apenas ter o direito de exibir as partidas. É sobre o que você faz com isso, porque o investimento não termina na compra dos direitos. Ele só começa ali”, defendeu o executivo.

E aqui vem a cutucada mais clara na concorrência. Belmar destacou que, segundo o Ibope, as 20 maiores audiências da Copa até agora são da TV aberta. Também afirmou que, mesmo com metade dos jogos, a TV aberta já alcançou 90% do público que acompanha a competição.

“Mais de 41 milhões de pessoas assistiram a jogos somente na Globo, não tiveram contato com nenhuma outra transmissão. Ao mesmo tempo, a gente percebe que parte do público que costumava acompanhar a Copa em edições anteriores não está sendo alcançada pelos jogos exibidos apenas no streaming. Isso acontece porque a TV aberta, em especial a Globo, fala com muita gente”, disse.

Tradução livre da tia aqui: a Globo pode até não ter todos os jogos, mas ainda quer deixar claro que tem o controle do assunto. Porque a Copa aparece no Jornal Nacional, no Encontro, no Mais Você, no Globo Esporte, nas chamadas da programação, no Globoplay, no feed e até no humor involuntário da grade mexida. É um cerco.

 Manuel Belmar, diretor financeiro e de produtos digitais da Globo, falou sobre a concorrência na Copa
Manuel Belmar, diretor financeiro e de produtos digitais da Globo, falou sobre a concorrência na Copa

“A Copa não está só na transmissão do jogo. Ela aparece nos telejornais, nos programas de entretenimento, nas redes sociais, em toda a programação. E impacta até pessoas que nem estavam planejando assistir à Copa. Essa capacidade de capturar atenção e transformar um evento em assunto do dia é um ativo muito próprio da Globo”, afirmou Belmar.

A frase é bonita, mas também é um aviso. Para a Globo, SBT e CazéTV podem ter jogo, narrador, meme, QR Code, mesa caótica, torcida jovem e barulho nas redes. Só que a emissora se vende como a máquina que transforma a Copa do Mundo em clima nacional, aquela coisa de fazer até quem não sabe a escalação reclamar do técnico no almoço.

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