Eu já estava com a bolsa no ombro pra descer pra academia no Leblon quando o celular tocou. Do outro lado, uma amiga ginecologista, daquelas que atendem meio Rio e guardam segredo da cidade inteira, mandou o vídeo da Giovanna Antonelli e disparou: liga o modo coluna que esse aqui vai render. Larguei a bolsa na cadeira, aumentei o brilho da tela e sentei de novo, porque eu conheço esse roteiro de cor. Basta essa mulher mostrar uma novidade pra metade do país perguntar onde faz.
Aos 50 anos, a Giovanna publicou uma sessão de laser feita durante uma consulta com a própria ginecologista e ainda elogiou a praticidade. “Não precisa fazer muitas sessões, isso que é legal”, disse ela, com aquela leveza de quem já testou tudo que tem direito. O tal procedimento faz parte da ginecologia regenerativa, área que junta tecnologias como laser de CO₂, radiofrequência e ultrassom microfocado. É procurado por mulheres que enfrentam ressecamento, queda na lubrificação, flacidez, dor nas relações e as mudanças que chegam com a menopausa ou com o parto.

Quis medir o tamanho da coisa e fui atrás de quem entende. “Esse é um braço da ginecologia. A ideia é melhorar a função e a estética íntima feminina. Para isso, podemos usar tecnologias, aplicação de ácido hialurônico e uso de hormônios locais ou cremes para lubrificação”, explicou a ginecologista Patricia Magier. Existe ciência séria por trás, o que é bem diferente do balcão de promessa que certas clínicas adoram montar.
Em questão de horas, o vídeo virou assembleia feminina no meu grupo e em metade dos grupos do Brasil. Uma perguntando sobre menopausa, outra atrás de lubrificação, uma terceira já garimpando clínica no Instagram com o cartão quentinho na mão. É o efeito Giovanna em estado puro, aquele poder de transformar uma consulta de rotina em corrida nacional ao ginecologista. O problema é que post não vem com bula, e a indicação depende de sintoma, histórico e avaliação individual, não do número de likes do reels.

E aqui entra a parte que ninguém quer ouvir no meio da empolgação. Entidades médicas internacionais já avisaram que equipamento vendido com promessa larga de “rejuvenescimento vaginal” pede cautela, porque, usado sem indicação, pode deixar queimadura, cicatriz e dor que ninguém pediu. Laser, preenchimento, fisioterapia do assoalho pélvico e cirurgias como perineoplastia e ninfoplastia têm finalidades diferentes e não cabem no mesmo pacote milagroso parcelado em doze vezes. A Giovanna tem o mérito de jogar luz num assunto que muita mulher ainda engole calada, e isso eu aplaudo de pé.
Mas vou repetir o que falei pro grupo antes que alguém fechasse pacote no susto. A Giovanna mostrou a vida dela, não distribuiu receita pra ninguém. Fecha o Instagram, abre a agenda da ginecologista e deixa que famosa lança moda, médica é que dá diagnóstico.