Engasguei com o vinho verde aqui em Sintra. Gabriela Duarte, a Maria Eduarda de Por Amor, atriz de carreira bonita e respeitada, resolveu gastar o dia apagando incêndio nos próprios stories. E incêndio que ela mesma acendeu.
O roteiro foi esse. Ela postou uma imagem de um ato, choveu mensagem avisando que parte daquilo era falsa, e ela apagou. No lugar, veio um textão: disse que não concorda com fake em hipótese alguma, que também não concorda com vandalismo de nenhum lado e fechou perguntando que país você quer pra você.

Até aí, tudo bem. Errou, apagou, explicou. O problema veio no story seguinte. Outra imagem, repostada de um perfil de terceiros, com gente em cima da cobertura da estação Trianon Masp, pichação nos vidros e uma frase de efeito sobre ideologia valer mais que patrimônio. Nenhuma data, nenhum contexto, nenhuma checagem. Ela trocou uma imagem duvidosa por um meme opinativo e chamou isso de equilíbrio.
E a Gabi conhece esse filme. Em setembro de 2025, repostou um vídeo que chamava Gil, Caetano e Chico de artistas decadentes e precisou gravar uma sequência de vídeos jurando que tinha apertado o botão sem saber. Em janeiro de 2023, condenou o vandalismo do 8 de janeiro. Já contou em entrevista que o posicionamento político da mãe afetou a vida dela. Ou seja, ela sabe exatamente o preço de cada post.
Falar de Regina Duarte dói. É a dona de tudo, a Viúva Porcina, a Helena, a namoradinha do Brasil. Trocou 50 anos de Globo pela Secretaria de Cultura em 2020, ficou menos de três meses no cargo e hoje aparece mais em checagem de fake news do que em elenco de novela. A política engoliu uma das maiores atrizes que esse país já teve.
Gabriela não precisa repetir esse caminho. Tem nome próprio, tem público fiel, tem trabalho para mostrar. Cada story político sem checagem empurra a filha para o lugar que a mãe ocupa hoje, e a internet não faz questão nenhuma de separar uma da outra.

Meu veredito, de longe e com carinho: Gabi, larga o celular, toma um café e volta para o set. Quem compartilha antes de checar vira manchete pelo motivo errado. Política deixa para quem escolheu viver dela.